Para poder continuar fazendo o seu trabalho e conseguir pagar os custos de R$ 1 mil com o tratamento do cavalo "Cacique", resgatado por uma ativista em péssimas condições no dia 9 de março deste ano em Bauru, as personagens "Vida" (gata) e "Digna" (cadelinha) ajudarão a promover hoje um pedágio no cruzamento da avenida Getúlio Vargas com a Anvar Dabus, das 10h às 16h.
Elas são as mascotes da organização não-governamental (ONG) Vidadigna, entidade à qual pertence Maria Lúcia Tistão. Foi ela quem resgatou Cacique, que tem idade estimada de 12 anos, logo após o animal cair na rua Monsenhor Claro, em frente a uma empresa de produtos veterinários.
"Nada levantava o Cacique, o pessoal deu um litro de soro para ele, mas ele nem se moveu. Eu só consegui levantá-lo depois que dei água para ele beber. Ele estava muito desidratado", relatou Lúcia.
Ao chegar na Universidade Paulista (Unip) de Bauru, onde permaneceu em atendimento durante 22 dias, Cacique mal conseguia se conter ao ver a grama.
"Ele comia com uma vontade absurda. Eu achei até que ele iria engasgar. Ele deveria estar sentindo uma dor tremenda, além da fome. Estava com a pele cheia de feridas. Uma situação muito triste", acrescentou a ativista da ONG Vidadigna.
Atualmente ele ainda está sob cuidados, no entanto, em um local sigiloso. Sua inflamação nas patas se tornou crônica por conta dos pedaços de borracha que foram pregados aos cascos com pregos enferrujados. Cacique nunca mais poderá ser montado ou servir de tração para uma carroça.
Antes de passar mal e ser resgatado, o cavalo era utilizado por um carroceiro - que teve a identidade preservada pela polícia - que coletava materiais recicláveis em Bauru e os transportava até Arealva, onde reside. Após o ocorrido, ele concordou que o animal ficasse sob os cuidados da ONG.
A Polícia Civil instaurou um termo circunstanciado para apurar o caso e já ouviu o proprietário do animal. "O que pode acontecer se o proprietário for julgado culpado é o cumprimento de penas alternativas, como pagamento de cestas básicas. No mínimo, ele não terá mais a posse do cavalo", esclareceu o delegado Eduardo Sganzella, do DP de Crimes Ambientais de Bauru.
Outras metas
A ONG Vidadigna também luta, assim como outras entidades em Bauru, para o cumprimento do decreto de lei 11.213, de 15 de abril, que regulamentou a lei municipal 5.632 de 25 de agosto de 2008, que dispõe sobre a circulação, disciplina e cadastramento de veículos de tração animal nas vias do município de Bauru.
Só assim os carroceiros poderão circular regularmente pela cidade com animais saudáveis e evitando riscos tanto para a população quanto para a saúde do animal.
"Nós queremos muito que essa lei funcione porque ela só existe no papel. Se ela funcionasse, talvez não teria acontecido isso com o Cacique", disse Beatriz Schuler, presidente da ONG Vidadigna.
Proteção animal
Outra intenção da ONG Vidadigna é a concretização do Conselho Municipal de Proteção e Defesa aos Animais, que estaria em fase final de aprovação. No ano passado, o projeto do vereador Paulo Eduardo de Souza seguia na escolha de representantes do Conselho Regional de Medicina Veterinária, dos cursos de veterinária da Unip, de biologia da Unesp e USC, além de integrantes da sociedade civil. Pelo poder público deverá receber representantes das secretarias do Meio Ambiente, Saúde e de órgãos estaduais.