Damasco -Forças de segurança da Síria mataram ontem ao menos 29 pessoas numa violenta repressão a novos protestos em várias partes do país contra o ditador Bashar Assad, disseram testemunhas e ativistas locais de direitos humanos.
O número de mortos é o maior registrado num único dia desde o início, em meados de março, de protestos por reformas no país, na esteira da onda de revoltas pelo mundo árabe.
Em três semanas de manifestações, os número de vítimas já chega a ao menos 90, mas a Organização Nacional de Direitos Humanos da Síria estima em 170 as vítimas.
Os episódios de violência têm se concentrado nas sextas-feiras, dia sagrado para os muçulmanos, quando multidões aproveitam a ida às mesquitas para, na saída, tomar parte nos protestos.
A maioria das mortes, 22, foi registrada em Daraa, ao sul de Damasco. A cidade, fronteiriça com a Jordânia, é o epicentro das revoltas contra o ditador Assad e tem sido isolada pelo governo sírio.
Ainda segundo os relatos de testemunhas, forças de segurança abriram fogo contra multidão estimada em dezenas de milhares de pessoas. Foram registradas ainda mortes em protestos num subúrbio de Damasco (três), Homs (três) e Douma (uma).
O regime sírio, por sua vez, relatou a morte de 19 policiais e membros das forças de segurança por obra de supostos grupos vândalos.
A TV estatal chegou a veicular imagens de encapuzados atirando de modo indiscriminada contra os manifestantes e forças do governo. Damasco atribui a onda de revoltas no país a gangues, em tentativa de diminuir a importância dos protestos.