O sr. Fábio Barbosa, ex-presidente da Febraban, escreveu recentemente um artigo com o título acima. Quero recuperar indicadores interessantes da matéria e opinar sobre a nossa realidade. A China faz 34 anos que cresce economicamente a taxas muito superiores às mundiais. Os EUA possuem mais de 150.000 chineses em curso P.h.d. e mestrados.
Na China, mais de 300 milhões de pessoas aprendem inglês. No ranking das 100 melhores universidades, 4 são chinesas. Nenhuma brasileira. O governo chinês tem política de inserção de pessoas na economia ativa, ou seja, tirá-los da miséria para a cidadania plena, ancorado no crescimento sustentável da economia, geração de empregos e educação.
Resumindo, a China tem projeto de Nação a médio e longo prazo, cuja cúpula do partido deve estar preparada e muito bem orientada para alinhar o País nesta rota crescente de competitividade mundial.
Avaliar o País pela ótica simplista, onde a manipulação do câmbio e o custo da mão-de-obra são os responsáveis pelo crescimento, pode ser um erro ingênuo e inconsistente. Por-tanto, aqueles que competem com a China continuarão a ter problemas por muito tempo. Aqueles que compram da China insumos ou componentes devem ter bom nível de competitividade interna.
O Brasil, segundo a revista Exame, precisará de 8 milhões de pessoas qualificadas nos próximos 5 anos, se quiser continuar a crescer. O Brasil prepara a Bolsa-Qualificação, programa que objetiva qualificar pessoas para esta demanda emergente de profissionais.
O Brasil tem sérios problemas na qualidade do ensino. Na pré-escola e 1º grau houve melhora no ensino e formação das crianças/educação. A pergunta é se o ritmo e a qualidade da melhora são suficientes para as demandas competitivas do País no futuro próximo, ou seja, 5, 10, a 20 anos?
Temos conhecimento e certa vivência com a EMEI Nidoval Reis - no Núcleo Habitacional Mutirão Edmundo Coube, onde a carência das crianças em função da falta de estrutura familiar é uma realidade para grande número de crianças. Qual é o futuro dessas crianças oriundas de famílias desestruturadas? Estatisticamente, qual é o percentual dessas crianças carentes no País? Como combateremos e resolveremos este problema?
Temos projeto de curto, médio e longo prazo para educar e formar gerações que ga-rantirão um nível de competição com China, Índia, USA, Coreia e outros no futuro?
Infelizmente, por circunstâncias políticas várias, não estamos acostumados a pensar e projetar políticas de longo prazo. Pagaremos caro por isso! E de bolsa em bolsa vamos de-senvolvendo nossa política imediatista e de curto prazo.
O autor, Ricardo Coube, é diretor do Grupo Tiliform