A Prefeitura de Bauru terá, querendo ou não, mais uma ou duas semana para negociar com médicos da rede municipal visando garantir os plantões em unidades de urgência e emergência. O mesmo vale para a discussão do dissídio dos servidores (leia mais abaixo). Na sessão de ontem da Câmara Municipal, a maioria dos parlamentares votou por adiar a proposta do Executivo de firmar convênio com a Fundação UNI para oferecer serviço terceirizado de plantão médico no Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista. No entendimento da maioria do plenário, a proposta dos médicos em atender a escala extra, desde que recebam o mesmo que o município repassaria à fundação, inseriu um novo elemento na discussão. Para 10 vereadores, o adiamento da votação da proposta foi necessário para que seja firmado acordo com a categoria. Os parlamentares falam inclusive de oficializar esse acordo junto ao Ministério Público.
A sessão de Câmara de começou bastante movimentada. Do lado de fora do prédio do Legislativo, um caminhão de som chamava a população para acompanhar a reunião. Do lado de dentro, a galeria estava tomada de cidadãos exibindo cartazes contra a proposta. Antes do intervalo, a frente formada por uma série de entidades de Bauru que fazem oposição à iniciativa do Executivo fez um ato público em frente à Câmara e entregou ao presidente da Casa, Roberval Sakai (PP), um abaixo-assinado que reuniu mais de 5 mil assinaturas contra a medida.
A moradora dos Altos da Cidade Márcia Regina Zamarioli era uma das que protestavam contra a proposta. Ontem, ela participou pela primeira vez de uma sessão do Legislativo. "Com certeza virei mais vezes. O povo precisa participar mais das reuniões, tomar pé da situação da cidade. Hoje (ontem), vim para me posicionar contra o convênio, pois acredito que é um valor muito grande a ser pago e poderia ser investido nos médicos da rede", pontuou a manifestante.
A posição dos 44 médicos que assinaram a lista encaminhada à Câmara foi decisiva para que os vereadores decidissem pelo adiamento da votação. Porém, o posicionamento do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) é negociar com a categoria, mas sem retirar seu projeto da Casa. A intenção do Poder Executivo é, se a negociação não avançar, ter uma alternativa para garantir o atendimento à população. Carlão do Gás (PR) defendeu o adiamento por uma semana por entender que é prazo suficiente para debater uma saída com a classe.
Na tribuna, Sakai relatou que os médicos já tinham elaborado uma escala de plantões extras para demonstrar a posição pelo acordo. Já o líder do prefeito na Casa, Renato Purini (PMDB), afirmou que é preciso oficializar a posição dos médicos interessados em fazer a jornada adicional. "Se houver acordo com médicos, de um dia para outro se escala. Mas temos que resolver até a quarta ou quinta-feira. A fundação é um instrumento para colocar médicos onde não tem. O prefeito não quer contratar a fundação. Ele quer resolver o problema. Se surgiu a possibilidade de resolver o problema com médicos da rede, que seja. Desde que haja um acordo, com reconhecimento oficial e se possível levar ao Ministério Público. Se isso não for efetivado, na próxima segunda-feira ele está na pauta de novo", observou.
Amarildo de Oliveira (PPS) lembrou que as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) serão inauguradas nos próximos meses e corre-se o risco de não existirem profissionais para realizar os plantões nessas unidades. "O projeto de convênio com a Fundação UNI abre precedentes para o prefeito enviar projetos semelhantes para oferecer o serviço nas UPAs", observou. Marcelo Borges (PSDB) concordou. Para ele, o convênio com a UNI é uma "terceirização meia-boca. O prefeito não tem coragem de assumir o que quer fazer". Para o tucano, é necessário melhorar a remuneração da categoria, para atrair médicos para a cidade. Votaram contra o adiamento da votação os vereadores do PSDB Marcelo Borges, Giba dos Santos e Fernando Mantovani e os do Democratas (DEM), Chiara Ranieri e José Roberto Segalla.