Rio - O diretor da escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (zona oeste do Rio), disse que as duas salas de aula onde 12 alunos morreram na última quinta-feira vão deixar de abrigar classes.
De acordo com Luis Marduk, a sala vizinha à sala de leitura - onde quatro alunos foram mortos- será transformada em uma sala só, que vai virar uma biblioteca digital. Também no primeiro andar da escola, a sala em frente - onde oito alunos morreram -, será transformada em um espaço multifuncional, voltado ao atendimento de crianças com necessidades especiais e alunos de outras escolas. Segundo Marduk, será um espaço mais aberto à comunidade.
As aulas na escola municipal ainda não têm data para recomeçar. Na próxima segunda-feira a escola será reaberta à comunidade e contará com várias intervenções "para reinventar a escola". Segundo o diretor, artistas vão participar do evento para motivar as crianças. "Temos que enfrentar esta situação de frente, viver a dor até o fim, e reconquistar o espaço que é nosso", disse.
Hoje começarão oficinas de arte para os alunos, pois, segundo Marduk, "é importante trabalhar com arte para as crianças liberarem sentimentos".
Um mutirão realizado ontem na escola limpou e pintou as salas onde 12 adolescentes foram mortos a tiros na última quinta.
Além da limpeza, a escola reabriu ontem para receber os pais que querem buscar o material escolar deixado pelos filhos. Muitas crianças chegam ao local, mas não conseguem entrar, segundo o porteiro do colégio, Joaquim Vitorino, 57 anos. Os pais relatam que, traumatizados, os alunos não querem nem chegar perto da unidade.
Josilene Josina Francisco, 32 anos, foi buscar o material da filha Juliana, 13 anos. Ela estava na primeira sala invadida por Wellington. Segundo a mãe, Juliana não quer voltar para a escola e, apesar do acompanhamento psicológico, não consegue dormir nem se alimentar direito.
Quando o atirador, Wellington Menezes de Oliveira, 23, ex-aluno da escola, entrou na sala, Juliana estava sentada nas carteiras da frente e viu duas colegas sendo mortas. Ela fugiu quando Wellington parou para recarregar a arma.
A irmã de Juliana, Joice, de dez anos, estudava no terceiro andar. Na hora dos tiros, a professora trancou a sala, e as crianças ficaram abaixadas.
O porteiro, que trabalha no colégio desde 2000, disse que não se lembra de Wellington como aluno. "Pra eu não lembrar de uma criança é difícil, conheço todo mundo aqui".
Transferência
Marduk diz ter recebido, até agora, poucos pedidos de transferência de alunos. A escola contra com 999 alunos matriculados, mas foram enviados apenas cerca de dez pedidos.
Vizinhos pedem paz e pintam muro da casa do atirador
São Paulo - Depois de ter sido arrombada e ter o muro pichado com os dizeres "assassino e covarde", no fim de semana, a casa da família do atirador Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos teve o muro pintado de branco por vizinhos e ex-alunos na manhã de ontem.
Os portões que haviam sido arrombados foram fechados com cartolina branca. Vizinhos também colocaram em frente à casa um cartaz pedindo paz. "A culpa não é do Estado, a culpa não é dos parentes, a culpa não é das crianças, a culpa não é dos funcionários da escola. A dor é de todos. Nosso bairro é pacífico", diz o cartaz.
Uma patrulha da Polícia Militar está estacionada em frente à casa para evitar que novos atos de vandalismo ocorram. Até o dia do massacre, na última quinta-feira, a casa era ocupada pela família da irmã de Wellington, que desde então não foi mais vista.