Internacional

Presidente da Costa do Marfim é preso

Folhapress
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Yamoussoukro - O presidente em exercício da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, foi detido por forças leais ao seu rival Alassane Ouattara - reconhecido internacionalmente como o vencedor das eleições presidenciais -, confirmou ontem a ONU. A ação teve o apoio de tropas francesas e da ONU.

"A missão da ONU na Costa do Marfim confirma que o ex-presidente Laurent Gbagbo se rendeu às forças de Outtara e está sob custódia", disse o porta-voz da organização, Farhan Haq. Segundo ele, a missão da ONU no país, conhecida como UNOCI, está providenciando "segurança, de acordo com seu mandato".

O enviado da ONU ao país, Youssoufou Bamba, disse que Gbagbo está "vivo e bem" após sua detenção e será levado a julgamento. Gbagbo e sua mulher, Simone, foram levados ao quartel-general de Ouattara, afirmou Anne Ouloto, porta-voz do presidente reconhecido internacionalmente.

Anteriormente, um assessor de Gbagbo na França havia dito que forças especiais francesas o teriam detido e entregado aos líderes da oposição rebelde.

O presidente estava vivendo em um bunker na residência em Abidjan há cerca de uma semana. Depois de uma década no poder, ele se recusa a sair apesar de as Nações Unidas terem reconhecido o presidente eleito nas eleições de novembro, Alassane Ouattara.

Tanques franceses avançaram pelo centro de Abdijã na manhã de ontem, um dia depois de um segundo bombardeio aéreo que alvejou posições de Gbagbo na Capital.

A poucos metros da casa de Gbagbo, moradores disseram ter visto dez veículos blindados com a bandeira francesa circulando na manhã de ontem, o que forçou os homens leais ao presidente a deixarem a região. Dois dos tanques bloquearam o acesso à região, enquanto os outros seguiram para a casa do presidente.

Na região comercial de Plateau, testemunhas dizem ter visto soldados franceses se confrontando com seguidores de Gbagbo perto do palácio presidencial.

Gbagbo perdeu o controle do país há cerca de duas semanas, quando partidários de Ouattara tomaram conta do norte e do oeste do país, além de Abdijã.

A atual crise marfinense começou depois do segundo turno das eleições presidenciais, em 28 de novembro, quando Gbagbo, presidente da Costa do Marfim desde 2000, se negou a admitir sua derrota frente a Ouattara e a ceder o poder, apesar do forte pressão internacional para que deixe a presidência.


Comemoração


Gritos de alegria ecoavam em várias regiões de Abidjan à medida que se espalhava a notícia da prisão de Gbagbo. Os moradores promoveram um buzinaço. Em Koumassi, distrito no sul de Abidjan, Mariam Cisse contou que as pessoas estavam nas ruas, cantando: "Gbagbo se foi. Gbagbo se foi."

Em Adjame, na frente de uma delegacia, um grupo de jovens armados pró-Ouattara hasteou uma bandeira marfinense ante a multidão em êxtase. "Esperamos que o país consiga encontrar a paz e a estabilidade. Estou muito feliz", disse o jovem Jean Desire Aitcheou.

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Novo líder promete investigação


Yamoussoukro - Em pronunciamento ao vivo na TV estatal, o presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, disse que o país "virou a página" e que ordenou à Justiça que investigue o ex-presidente Laurent Gbagbo e sua mulher. Dirigindo-se à população, o líder democraticamente eleito pediu calma e disse que combates e atos de vingança devem ser evitados.

O presidente advertiu as milícias pró-Gbagbo e suas próprias forças para que abandonem as armas e deem início a uma "nova era de esperança" no país.

Ouattara disse ainda que determinou a abertura de uma "Comissão de Verdade e Reconciliação" para apurar denúncias de massacres e violência do antigo regime e dos confrontos entre governistas e oposicionistas.

O pronunciamento de Ouattara chega pouco após declarações de Gbagbo. Horas após ser detido, Gbagbo disse em entrevista ao uma emissora de TV que pediu às tropas leais a ele que "parem com as armas".

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