Bocaina ? Moradores do bairro Curralinho, na zona rural de Bocaina (69 quilômetros de Bauru) reclamam que, há cerca de três meses, estão praticamente isolados do restante do município. A causa desse isolamento é o rompimento de uma barragem, que danificou uma ponte e deixou a estrada de terra da fazenda Juriti interditada. A prefeitura alega que não tem recursos próprios para fazer a obra e que aguarda a liberação de verba estadual ou federal para realizar o serviço.
O problema, causado pelas fortes chuvas do início do ano, atinge moradores das fazendas Juriti, Morro Alto, Três Barras e Santo Antônio. Desde quando parte da estrada de terra foi carregada pelas águas, para chegar até o Centro da cidade, um dos produtores rurais afetados, que preferiu não se identificar, conta que têm de pegar um desvio pela vicinal Alfredo Sormani Junior, que liga Bocaina a Bariri.
Todo o percurso, segundo ele, é feito de carroça, já que ele não tem outro meio de locomoção. A distância, que antes era de 12 quilômetros, aumentou para 35. "É mais do que o dobro", diz. Ele reclama das dificuldades que os moradores da região enfrentam para escoar a produção agrícola e conta que já procurou a prefeitura pedindo para que o problema seja solucionado o mais rápido possível. "Eles falam que estão esperando uma verba, mas até agora nada", revela.
O vereador Gisberto Marcos Antunes (PC do B), o Betinho, revela que também foi procurado pelos moradores. "Eles me informaram que as únicas benfeitorias que foram feitas após os estragos das chuvas em algumas pontes foram realizadas com a ajuda da Ripasa, que está usando a estrada principal para o escoamento de madeira", pontua. Contudo, segundo ele, as melhorias não chegaram à estrada da fazenda Juriti em razão do trecho não fazer parte da rota da empresa.
De acordo com o parlamentar, o isolamento decorrente das fortes chuvas de janeiro atinge dezenas de sitiantes, que não têm como escoar a produção de leite, verduras, cereais e frutas. Ele conta que, com o rompimento da barragem, a ponte não chegou a cair, mas ficou inclinada. Contudo, em razão do buraco que se formou no local, ao lado da estrutura, até mesmo a passagem a pé de um lado para o outro é impossível de ser realizada.
O vereador também chama a atenção para a falta de sinalização no trecho avisando sobre o rompimento da barragem e a interdição da estrada. "Estive lá hoje (ontem) e não vi nenhuma placa informando o perigo logo à frente", declara.
Aguardando recursos
Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura de Bocaina reconhece que não possui recursos próprios para fazer a obra no local, orçada em R$ 314 mil. Segundo o Executivo, na semana passada, o prefeito João Francisco Bertoncello Danieletto (PV) esteve em Brasília para pleitear recursos junto ao Ministério da Integração Nacional. Antes, o prefeito já havia feito o mesmo pedido ao governo do Estado.
De acordo com o município, apesar da chuva ter danificado três pontes (estradas do Curralinho, Fazenda Juriti e Fazenda Santa Fé), atingindo 12 fazendas e prejudicando o escoamento da produção agrícola, o governo do Estado reconheceu o estado de emergência em Bocaina por meio de decreto e autorizou a liberação de apenas R$ 340 mil para a construção da ponte do Curralinho. Ainda não há previsão de data para que o dinheiro seja transferido à prefeitura.
No dia 18 de janeiro, por meio de um trabalho conjunto entre o Executivo e a empresa Ripasa, que atua no ramo de papel e celulose, foi iniciada a construção de uma ponte provisória de madeira no local onde antes existia a ponte de concreto do Curralinho. Os serviços foram concluídos no dia 27 do mesmo mês e evitaram que o transporte da produção agrícola de algumas fazendas, como cana-de-açúcar, pecuária de corte, de frango, laranja e eucalipto, fosse interrompido.
O futuro das outras duas pontes, segundo a prefeitura, permanece indefinido e o município continua aguardando verbas dos governos estadual e federal. Em relação à sinalização no trecho, a assessoria de imprensa alega que existe uma fita plástica impedindo o acesso à ponte, mas que ela pode ter sido arrancada com a última chuva forte registrada na região, no dia 19 de março.