A exemplo dos desbravadores de 80 anos atrás, a viagem dos Braga tem apoio oficial do governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores. A expedição entregará um exemplar do livro e cópias de toda a documentação que comprova a contribuição histórica do trio que viajou entre as décadas de 1920 e 1930.
A família Braga sai de Bauru no exato dia em que a viagem de Leônidas, Francisco e o mecânico Mário, natural de Bariri, completa 83 anos de início. Os pioneiros deixaram o Rio de Janeiro e encerraram o trajeto na sede da Ford, em Detroit/EUA, onde foram recebidos pessoalmente pelo lendário Henry Ford.
Na mesma companhia, os Braga apresentarão o feito aos respectivos diretores, ocasião em que será formalizada proposta de distribuição de nova edição do livro, em todas as revendedoras da marca no continente. Concluída a rota original, eles ainda passarão pela famosa Rota 66 norte-americana e, após cruzar os Estados Unidos de ponta a ponta, ganharão o extremo norte das Américas, cruzando parte do Canadá até o Alasca.
No retorno, novo tour pelos EUA até a Flórida, onde embarcam em cruzeiro rumo ao Nordeste brasileiro, para onde a caminhonete será despachada. De Fortaleza, eles saem em direção ao Uruguai, e Patagônia, na Argentina e Chile. "Tomamos o cuidado de estar nos extremos Norte e Sul em seus respectivos verões", detalha Márcia. "Mesmo assim, no Alasca por exemplo, a temperatura máxima nessa época é zero, mas chega até 20C negativos", acentua Caio.
Em 2012, no retorno ao País, as milhares de horas de filmagem, incontáveis fotografias e demais registros serão editados e, posteriormente, transformados em documentários e programas de TV. Pé na estrada!
Vida itinerante
Toda a família Braga programou a mudança brusca que ocorrerá na vida de todos a partir de sábado. A residência oficial, a partir de então, será a estrada. O caçula Renato, por exemplo, trancou a matrícula na faculdade de Engenharia Mecatrônica que cursava no ABC Paulista. "Acho que não vou perder nada. Pelo contrário, ganharei uma experiência para a vida que dinheiro nenhum paga", considera o rapaz. "Ele é muito novo e não há nada que o impeça de concluir os estudos um pouco mais tarde", endossa a mãe.
Já o mais velho, ciente de que a família também enfrentará alguns riscos pelo caminho ? desde ameaças humanas em países instáveis como da própria natureza (clima, locais propícios a alterações sísmicas) ?, tem outra preocupação, não menos relevante para quem tem um compromisso firmado. "Estou triste por deixar a namorada aqui em Bauru", lamenta, ciente de que Roberta entende a dimensão dessa viagem tanto para a família quanto para o próprio registro histórico da "paternidade" brasileira sobre a Carretera Panamericana. "Ela (a namorada de Caio) logo fará parte da equipe", tranquiliza. Palavra de sogra!
Percorrer o continente de carro, apesar de coroar um projeto iniciado há dez anos, quando os primeiros documentos do livro começaram a ser recolhidos pelo memorialista Beto Braga, não é o destino final. A ideia, revela Márcia, é uma viagem futura com pernas maiores, uma volta ao mundo rodoviária.
Precauções
Em alguns países do roteiro, principalmente na América Central, as instabilidades políticas e sociais requerem um certo tipo de cuidado ? espírito de aventura não significa insanidade, pondera Márcia. "Viajar à noite, jamais", completa Renato, que, ao lado do irmão mais velho, fará as vestes de mecânico emergencial, além de cuidar de todo o aparato para registro em vídeo da viagem, que poderá se transformar em documentários tanto sobre a Carretera Panamericana quanto sobre a aventura em particular da família Braga.