Nacional

China mantém posição sobre Brasil na ONU

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Pequim - A declaração da China sobre a candidatura do Brasil a membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não traz mudanças de fundo, afirmou ontem o chanceler brasileiro, Antonio Patriota. Segundo ele, o apoio não tem sido mais explícito por causa da estratégia brasileira de se aliar a países que sofrem com a "reserva" de Pequim.

"Mudança de fundo não creio que tenha havido. É uma conciliação de uma disposição favorável em relação ao Brasil, de uma valorização do trabalho do Brasil, e acho que ontem em dia até maior do que no passado, com essa reserva com relação à articulação brasileira no G4, que une Brasil, Índia, Japão e Alemanha", disse.

"A declaração só não é mais explícita porque, como você sabe, a República Popular da China não tem uma posição idêntica à do Brasil sobre a reforma do Conselho de Segurança, ela tem dificuldades com alguns dos candidatos a membros permanentes", afirmou. "Por isso essa linguagem às vezes um pouco difícil de entender."

"Desde alguns anos que a China diz que, quando chegar a hora da reforma, de identificar quem poderão ser os novos membros permanentes, o Brasil será um país com óbvias credenciais", disse Patriota. Segundo ele, "é uma conversa dos anos 1990".

Patriota disse que o comunicado de anteontem é uma "boa manifestação" por usar "uma linguagem muito afirmativa". O chanceler fez as declarações pouco antes de embarcar de Pequim rumo à ilha de Hainan (sul da China), onde a presidente Dilma Rousseff participará da cúpula dos Brics a partir de hoje.

A China vem mantendo a posição oficial de defender uma reforma ampla que não se restrinja ao Conselho de Segurança, do qual é um dos cinco membros permanentes. Nos bastidores, trabalha contra as candidaturas de Japão e Índia, com quem tem disputas territoriais e desavenças históricas. Os dois são integrantes do G4, ao lado de Brasil e Alemanha.

No comunicado assinado anteontem pela presidente Dilma Rousseff e seu anfitrião, Hu Jintao, os dois governos "apoiam uma reforma abrangente da ONU, incluindo o aumento da representação dos países em desenvolvimento no CS como uma prioridade". "A China atribui alta importância à influência e ao papel que o Brasil, como maior país em desenvolvimento do hemisfério ocidental, tem desempenhado nos assuntos regionais e internacionais, e compreende e apoia a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente naONU."

____________________

Brasil não exigirá da China correção de rota nos direitos humanos


Pequim - Mesmo depois de ter arrancado da China o compromisso de parcerias comerciais "mais qualificadas", o Brasil não vai exigir do país asiático uma correção de rota em relação aos direitos humanos. "Não vamos nos transformar num alto-falante permanente", avisou Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais. "O fato de nós termos uma tensão grande com esse tema de direitos humanos não significa que vamos tratá-lo como questão obsessiva a todo momento."

O comunicado conjunto assinado por Brasil e China, na terça-feira, dedica ao assunto apenas uma menção protocolar, como se o problema estivesse ligado apenas a ações de combate à pobreza, e não a violações à liberdade de expressão.

Diz a declaração conjunta que os dois países fortalecerão as consultas bilaterais em matéria de direitos humanos e "promoverão o intercâmbio de experiências e boas práticas."

O tema não foi levantado nem mesmo anteontem, durante conversa reservada da presidente Dilma Rousseff com o primeiro ministro da China, Wen Jiabao, conhecido no país por emitir opiniões mais avançadas sobre esse capítulo.

Comentários

Comentários