Política

Rede exige mais 50 médicos neste ano

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Os 14 médicos que vão suprir os plantões do PS da Bela Vista em escalas adicionais diárias de quatro médicos (dia/noite) não resolvem a demanda de curto prazo da Saúde Municipal. Enquanto passa a gastar o dobro com plantões para completar a defasagem nos serviços já existentes de urgência e emergência, a Prefeitura de Bauru terá de contratar pelo menos 50 novos médicos até o final do ano.

Sem eles, as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e serviços complementares da nova estrutura da Saúde local não vão funcionar. Segundo Luiz Antônio Sabbag, o serviço de urgência atual (PS Central, Infantil e da Bela Vista, além do Samu) conta com apenas 68 profissionais especializados, contra cerca de 100 que atendem nas Unidades Básicas (UBS).

Mas o secretário Fernando Monti aponta que os atendimentos 24h previstos para as UPAS (três têm conclusão das obras prometida para este ano) vão pressionar por novas contratações ainda neste ano. "Por isso é que, além de resolver o plantão extra que negociamos hoje para completar o que falta no PS da Bela Vista, nós teremos que preencher essas 50 vagas por concurso. As UPAs precisam dessa mão de obra, independentemente da reposição do que já existe na urgência, se alguém deixar o sistema", revela o secretário.

A folha de pagamento atual da área de urgência e emergência da prefeitura é de R$ 1,983 milhão (fevereiro de 2011), contra os R$ 1,711 milhão do mesmo mês em 2010, segundo a Secretaria da Administração. Com folha própria, jornada menor para alguns profissionais, incorporação proporcional de adicionais (como os 125% extintos para quem atua no PS Central), criação de duas coordenadorias executivas (de gestão e sistemas), a pasta consome R$ 272 mil a mais somente no pós-plano de cargos e salários (PCCS).

Isso representa elevação dos gastos de 15,8%, o que não inclui mais o valor dobrado dos plantões (que assumiram o lugar da hora-extra no sistema local de Saúde com o PCCS) e os R$ 4,00 por atendimento como prêmio de produtividade. As contas preliminares são de que, somente no serviço de urgência, o gasto com plantões vá crescer de R$ 120 mil/mês para R$ 180 mil/mês. Mas como o acréscimo de despesa vale para todo o quadro, a busca por plantões e os buracos nas escalas tendem a aumentar a cifra.

O custo com Saúde ainda vai ser inflado com ações ainda não realizadas. A prefeitura se prepara para abrir licitação para instalar 12 novas Unidades de Saúde da Família (onde também terá de ter mais profissionais) e pode ter de arcar com efeito cascata na previdência se a Justiça estabelecer, em Brasília (DF), que o médico pode se aposentar com 25 anos de profissão.

E a informatização da rede terá de sair do papel até o meio deste ano, com ou sem a ajuda do governo federal. Monti disse que vai comprar o serviço no setor privado, porque não há mais tempo para esperar a definição de uma espécie de piloto gestado em Brasília (DF).

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Convênio adiado?


Mesmo com o acordo para suprir o plantão do PS da Bela Vista acertado com os médicos, o prefeito Rodrigo Agostinho disse que não iria retirar o projeto de convênio com a Fundação Uni, pelo menos por um tempo. O projeto deve estar na pauta de segunda-feira da Câmara, mas a tendência é ser sobrestado novamente.

"Confio nos médicos da rede. Amanhã, (hoje) já mandamos a emenda para o Legislativo", garante. Mas, ao mesmo tempo em que fala em confiança, o prefeito confirma o adiamento para conferir a realização do formato da escala de plantão extra no Bela Vista, como foi prometido por um grupo de médicos. "Por precaução, vou pedir para que a votação do projeto seja sobrestada por mais uma sessão, para a gente testar como vai ficar o atendimento no Bela Vista na semana que vem. Se regularizar realmente, retiro sem problemas. Mas se mesmo com todo o esforço que a gente fez, com o reajuste do plantão, se a gente perceber que a coisa não anda, vamos voltar a insistir no convênio", informa.

O representante da Fundação Uni, André Luiz Leite Berricot, disse, na audiência de ontem, que a entidade não tinha intenção de colaborar com suposta privatização do sistema público local. Ele ressalta que seria uma parceria com o município. "Se ocorrer sobras, elas são investidas na própria estrutura", observa tentando explicar o que é problema do Executivo local e não da prestadora de serviço.

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