Convocada para debater a criação de uma fundação interfederativa para gerenciar programas de saúde em comum entre os município da região, a audiência pública realizada na tarde de ontem na Câmara Municipal teve o tema apenas mencionado por alguns participantes. A tendência é que esta estrutura, o embrião da regionalização do custeio de serviços específicos (como a saúde de família e as internações no sistema local), seja debatida em outro encontro.
Os problemas da saúde municipal e os avanços e tropeços da administração nesta área tomaram conta do debate de ontem, que foi convocado a pedido do vereador Natalino da Pousada (PV).
Primeiro a falar, o secretário Fernando Monti elencou a estratégia de enfrentamento dos problemas municipais, como defasagem da rede de atenção básica e a centralização do atendimento de urgência e emergência. Ele também relatou que a prefeitura investiu na construção das Unidades de Pronto-Atendimentos (UPAs) ? as três primeiras deverão ser inauguradas com atraso até o final deste ano ? e a expansão das equipes de Programa Saúde da Família (PSF) (que deverão chegar a 26 ao todo).
Sobre a fundação interfederativa ou regional, o secretário ressaltou que a Prefeitura de Bauru e de outras cidades da região estuda é uma fundação pública de caráter privado para gerenciar serviços e buscar soluções para problemas em comum, como o Samu e o PSF.
Ele reforçou que o Poder Legislativo de todos os municípios envolvidos participarão da organização dessa fundação, uma vez que terão que apreciar os projetos de lei para a elaboração da entidade. "Estamos buscando instrumentos eficazes e modernos sem que qualquer princípio do SUS seja transgredido", pontua.
Marcelo Borges (PSDB) defendeu que Bauru seja a protagonista do gerenciamento da saúde na região. "É muito importante a criação dessa fundação. Vamos pensar algo novo. Nesse sentido, já estamos atrasados. Não podemos, uma cidade do porte de Bauru, não gerenciar o sistema hospitalar, por exemplo. Se não liderarmos o processo da fundação regional, vamos perder ainda mais", pondera.
O vereador Moisés Rossi (PPS) questionou o que está sendo feito pela prefeitura na rede de atenção básica e como a cidade pode enfrentar o problema da falta de vagas para internação, que é um serviço de responsabilidade do Estado. Já Roque Ferreira (PT) ressaltou a negociação com os médicos para resolver a falta de atendimento no PS do Jardim Bela Vista. Porém, ele pontua que é necessário recompor o quadro de médicos da prefeitura para que não seja necessária a realização de jornada extra.
O petista também questionou como o Executivo pretende estruturar as novas UPAs, dada a falta de médicos. "Se as UPAs forem operar com a mesma estrutura, teremos um grande problema, já que a crise será distribuída em quatro regiões da cidade", pontua.
A representante do Conselho Regional do Serviço Social, Cristina Lorenzeti, lembrou que a categoria deseja participar do debate sobre a criação da fundação regional. A entidade reclamou de não ter tido espaço para discutir a contratação de mão de obra terceirizada.