Este é o segundo ano da Justiça Preventiva Antidrogas nas escolas estaduais de Agudos. Passado um ano, o saldo é positivo. Foi invertido o discurso. Na autonomia em desenvolvimento do próprio aluno, ele, como protagonista, pôde expressar seus conhecimentos sobre drogas e seus usos. Por peças de teatro, torneios de debates, pesquisas, colocações de painéis nas escolas, torneios de desenhos ou concurso de slogans, grupos de conversas, redações e dramatização em histórias filmadas, foi quebrada a prática do apenas resumido em livros, palestras esparsas ou de sermões. Está trilhado o alargar de espaços e conquistas de territórios para alunos e suas ideias sobre o assunto. E surgiu de um aluno dependente, o que, neste ano, deve estar espalhado pelo município: não experimentar nunca é a única vacina.
Os operadores da educação, por seus supervisores, diretores, coordenadores de curso e professores tiveram oportunidades de aprender técnicas de conversas onde, nos disparos de diálogos, é possível adentrar no universo do adolescente e jovem, respeitando-o em sua vida e na comunidade a qual pertence. Agentes de segurança pública do Departamento de Narcóticos de São Paulo, habituados ao cotidiano das drogas, repassaram conhecimentos valiosos aos professores do que, no diário, é enfrentado nas escolas. E na continuidade tomaram conhecimento aos encaminhamentos àqueles problemas que, no reflexo escolar, tem a estrutura em Agudos, embora mínima, frente ao grande problema.
É reconhecido que professores não são psicólogos, psiquiatras ou assistentes sociais. Evidente que na demanda que se impôs, tais profissionais especializados na escola ou na sua pronta disposição, seria um salto de qualidade na educação ? o que necessita de instrumentos legais, por ato de autoridade legislativa e do Executivo Estadual ou Federal.
A sociedade agudense respondeu. São muitos os parceiros, onde cada seguimento, na autonomia própria e condição peculiar, contribue a seu modo e tempo. Assim, são lideranças locais, prefeitura e Câmara Municipal de Agudos, por seus vários entes municipais, Associação Comercial, clubes de serviços (Rotary e Lions), entidade de ensino superior (Faag) e ensino médio particular (Preve Objetivo), autoridades policiais locais e o representante do Ministério Público. É enorme o agradecimento a estes fundamentais apoios.
No sempre aberto a todos, os operadores da educação, os professores, receberam certificados assinados pelas autoridades máximas constituídas do município, em reconhecimento ao trabalho feito. Na participação efetiva, foram entregues aos professores alguns notebooks e sorteadas bolsas de estudos ao curso de graduação em pedagogia e pós-graduação. Os alunos que apresentaram resultados também foram premiados com aparelhos de celular, notebooks, viagens à bienal e ingressos para teatro em São Paulo, ida ao cinema ou passeios outros e até uma festa em homenagem a uma das alunas. Está prevista a edição de um livro, com fotos dos autores, do que vier a ser publicado.
Neste ano, no que envolve a unidade escolar, o desafio é continuar no que deu certo dentro das escolas. Na progressão, como desafio, um projeto de cada escola estará ao vivo, cores e movimentos, em praça pública ? no final do ano haverá uma comissão julgadora escolhendo os melhores trabalhos. O conceito desta nova fase é ir além dos muros das escolas, pois o assunto não é apenas escolar; é algo que tem o confronto diário, mas que precisa de consciência.
Há o blog www.vamosblogar.com.br. Na navegação pelos posts recentes ou antigos, homes, fotos, vídeos, textos e ícones, o projeto mostra seus objetivos e o que pretende alcançar, sua evolução e o seu crescer. O blog é corporativo e serve como um canal de expressão dos adolescentes e jovens. Há vários textos dos próprios alunos e, na linguagem direcionada, pretende ser chamativo, bem ilustrado, com vídeos e fotos. São histórias, músicas e textos de superação ou de valorização, conectadas com o que ocorre nos dias atuais.
A demanda é enorme, mas o projeto é ambicioso. Foi quebrado o tabu de como o assunto deve ser tratado; há conhecimento de como os adolescentes e jovens devem ser ouvidos e orientados; os professores e alunos, mais valorizados. Também foi criado o Conselho Municipal Antidrogas e na movimentação ocorrida foram forçadas mais atitudes locais do Poder Judiciário e do Poder Público, como um todo e, por agora, a luta (árdua e demorada) é pela construção e funcionamento de uma casa em Agudos ao tratamento de dependentes químicos.
O autor, Adilson Aparecido Rodrigues Cruz, é juiz de direito em Agudos