La Paz - Milhares de manifestantes bloquearam ontem parte da capital da Bolívia, La Paz, e outras cidades e chegaram a cercar a casa do presidente Evo Morales no oitavo dia seguido de protestos para exigir maior reajuste salarial. Os atos são liderados por professores da rede pública, funcionários do setor de saúde e por membros da COB (Central Operária Boliviana), maior central sindical local.
Os manifestantes querem um aumento salarial maior do que os 10% aprovados recentemente por Morales e retroativo a janeiro, ante uma inflação anualizada que bateu em 18,5% -segundo o centro de pesquisas Cedla.
Em La Paz, ruas foram tomadas. O cerco à residência oficial do presidente, que não estava lá no momento, durou várias horas. Foi encerrado no início da tarde, sem que tenha havido maiores incidentes. Líderes dos protestos disseram ter se dirigido para o local devido à repressão da polícia, que impediu por toda esta semana o acesso à praça Murillo, onde estão localizados o palácio presidencial e a sede do Legislativo. Morales se encontra desde ontem em Tarija, onde também ocorreram protestos -tal como em Santa Cruz e Cochabamba.
Segundo a imprensa o presidente não participou de eventos de agenda devido às manifestações. Policiais dispersaram os participantes de protesto com bombas de gás lacrimogêneo.
"Não conseguirão a adesão da população com o terror", disse o ministro da Presidência, Oscar Coca, segundo quem o governo atendeu a todas as reivindicações, à exceção dos aumentos. Ele convocou a COB ao diálogo. "Nós levamos Evo Morales ao governo, mas hoje ele está dormindo e esquecido desta classe que o levou ao poder", disse o professor Edwin Aldana.
Morales se vê alvo de protestos de sua própria base política desde dezembro, quando decidiu cortar subsídios a combustíveis que aumentariam os preços em até 83%. Ante a eclosão de intensos protestos, o boliviano teve de recuar e revogar a medida apenas alguns dias depois. Mas grupos camponeses e cocaleiros - produtores da folha de coca - também base política de Morales, prometem reagir e ir às ruas em defesa dele. O governo manifestou o temor de que eventual encontro entre os grupos gere confrontos.