Cheio de ideias inovadoras na mente, o bauruense José Paixão, 67 anos, tenta conseguir reconhecimento de seus inventos, já patenteados, há aproximadamente nove anos. O mais recente deles é um apoio de mão para motocicletas todo confeccionado com material reutilizável como encosto de cadeira, encaixe de trincos e cabos de aço.
Sem ter apoio e reconhecimento, Paixão pediu ajuda ao vereador Roque Ferreira (PT), que já enviou dois projetos ao ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante (PT).
José Paixão nasceu em Juazeiro, Estado da Bahia. Com apenas 5 anos de idade foi morar com a família em São Caetano. Foi mais tarde, nessa cidade onde estão instaladas grandes indústrias automobilísticas, que ele conseguiu seu emprego como almoxarife e, em seguida, metalúrgico.
Permaneceu nessa empresa por 17 anos e quando foi demitido resolveu montar algo no ramo dos transportes: adquiriu dois caminhões. Não dando certo, começou a trabalhar como encanador e eletricista predial apenas com o conhecimento empírico e da vivência diária que possuía. Logo se aposentou e continuou trabalhando por conta própria.
A primeira ideia de fabricar um objeto inovador e de grande utilidade surgiu há nove anos, quando Paixão estava no Rio Tietê. "Tinha acontecido um afogamento e logo os policiais do Corpo de Bombeiros chegaram em um bote salva-vidas para procurar o corpo da vítima. Tinham muitos ?braços? de rio e eles entraram em cada um e voltaram. Então eu pensei: se eles tivessem outro veículo como por exemplo uma prancha motorizada para cada um, o serviço seria feito mais rápido e com mais precisão", contou.
A imaginação começou a sair da mente e passou a tornar-se concreta. Para construir a moto-prancha, primeiro foi necessário fazer o motor. "Para fazer o motor eu comprei uma roçadeira e retirei o motor dela. A prancha eu comprei da Bahia porque não existia a que eu necessitava aqui no Estado de São Paulo. Depois desenhei rusticamente a hélice e mandei confeccionar", relatou.
Tudo bem pensado
Para ficar sob a água a prancha tinha duas ?asas? onde ficava também o combustível da máquina. A engenhoca pesava apenas 28 quilos e custou R$ 5 mil para ficar pronta.
"Mas se alguém abraçasse a ideia ela sairia em torno de R$ 2 mil", disse Paixão. Pouco mais tarde, sem sucesso de ter o projeto reconhecido, apenas patenteado, ele resolveu acoplar novamente o motor à roçadeira e vendê-la para pagar o gasto que teve.
Muito tempo se passou até que Paixão, morador do Jardim Petrópolis, precisou de um serviço de mototáxi para se deslocar até uma loja de materiais de construção que fica perto.
"Eu me senti muito desconfortável por ter que segurar apenas naquele apoio e logo me vi tentando me apoiar no mototaxista. Então pensei na trava logo após ler uma carta na tribuna do leitor do Jornal da Cidade", acrescentou.
A carta a que Paixão se refere era Sebastião Laerte Fabro de Camargo e tratava da regulamentação de serviços de mototáxi e motofrete.
"Durante a discussão da proposta, o senador Aloízio Mercadante (PT-SP) revelou preocupação com o fato de o parecer de Expedito Júnior não estabelecer, como fez para o "motofrete", regras de segurança no transporte de passageiros. O relator informou que essa providência caberá ao Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Como a matéria ainda vai ser debatida na CAS, Mercadante disse que tentará introduzir algumas "travas de segurança" nessa próxima etapa", escreveu na ocasião.
Então, Paixão logo pensou e começou a desenvolver um apoio de mão que é uma trava de segurança em que o passageiro pode apoiar-se firmemente sem atrapalhar o mototaxista. Conseguiu que o projeto fosse desenhado por profissionais do Serviço Nacional da Indústria (Senai) de Bauru e o patenteou.
"Passado isso eu tentei apoio de engenheiros. Todos acharam meu invento muito bom e útil, mas ninguém quis investir na ideia", lamenta o criador.
Oportunidade
A única oportunidade que José Paixão teve de mostrar o seu trabalho ao público foi na Feira da Ciência e Tecnologia realizada no Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru no final do ano passado. Por intermédio da Universidade Estadual Paulista (Unesp), segundo ele, conseguiu um estande para expor o ?apoio de mão?.
"As pessoas gostaram muito e acharam interessante. Quase não tive tempo de almoçar de tanta gente que tinha no estande. Depois procurei pessoas da engenharia da Unesp e até ofereci que o meu projeto servisse de base para algum trabalho de conclusão de curso para algum aluno, mas ninguém se prontificou", disse Paixão.