Gaza - O movimento palestino Hamas acusou ontem um grupo terrorista salafista pelo sequestro e assassinato do pacifista italiano Vittorio Arrigoni, cujo corpo foi encontrado na véspera na Faixa de Gaza. O Hamas prometeu ainda perseguir os autores do que chamou de "crime odioso". Desde a autonomia do território, em 1994, nenhum refém estrangeiro foi executado.
Arrigoni, jornalista e militante do movimento pacifista pró-palestino International Solidarity Mouvement (ISM), teve seu sequestro anunciado na tarde de quinta-feira por militantes do grupo salafista Brigadas do Companheiro Heroico Mohamed ben Muslima.
Segundo um porta-voz dos serviços de segurança do Hamas, que controla a faixa de Gaza, o italiano foi executado por asfixia e seu corpo encontrado em uma rua da Cidade de Gaza. O porta-voz disse que as forças de segurança identificaram um membro do grupo, que, detido, entregou outros integrantes e mostrou o local do cativeiro do ativista.
O porta-voz do Ministério do Interior do Hamas, Ihab Al Ghussein, condenou o "crime atroz", que segundo ele "não reflete nossos valores, nossa religião, nossos costumes e tradições".
"Condenamos este crime odioso e manifestamos toda nossa solidariedade com a família da vítima", declarou o principal negociador da Autoridade Nacional Palestina, Saeb Erakat.
O Ministério italiano das Relações Exteriores condenou em um comunicado o "bárbaro assassinato" e denunciou "um gesto de violência vil e irracional". Os salafistas exigiram, em um vídeo no Youtube, a libertação de seus companheiros detidos pelo Hamas, incluindo o chefe do grupo Tawhid wa al-Jihad, preso em março.
"Sequestramos o italiano Vittorio e exigimos do governo de (Ismail) Haniyeh que liberte nossos prisioneiros, começando pelo xeque Hisham Al Sueidan. Se não responderem (...) em 30 horas a partir das 11h (5h de Brasília) de 14 de abril, executaremos o prisioneiro".