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Entrevista da semana: Palmirinha Onofre

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Simpatia, simplicidade e muita, mas muita alegria. Essas são as palavras que descrevem Palmirinha Onofre já no primeiro contato com a culinarista e apresentadora. Em um segundo momento, é praticamente impossível não sentir vontade de abraçá-la e beijá-la, principalmente ao ver seus olhos cheios de lágrimas pelo carinho e aplausos das fãs que estiveram na Docepan, onde ela concedeu entrevista ao Jornal da Cidade, na tarde da última quinta-feira.Palmirinha veio a Bauru para divulgar os chocolates Bel.

Nascida em Bauru há quase 80 anos, Palmirinha aprendeu suas primeiras receitas com a mãe, dona do primeiro hotel da cidade. "Minha família foi uma das pioneiras em Bauru", conta. Aos cinco anos, foi morar em São Paulo com uma senhora francesa e amiga da família, com quem aprendeu a culinária requintada. Mais tarde, voltou a Bauru, casou-se e teve três filhos. Porém, em busca de oportunidades de trabalho, voltou a São Paulo.

Na Capital do Estado, Palmirinha trabalhou duro até conseguir reconhecimento na arte de cozinhar. "Eu saía nas ruas vendendo sonhos com sandálias de borracha e quando arrebentavam as correias, uma cabeleireira amiga minha colocava um grampo de cabelos para prendê-las. E assim continuava vendendo meus sonhos e meus salgadinhos nas ruas. Jamais imaginei que trabalharia na TV e que seria apresentadora de meu próprio programa", conta.

Mas aconteceu. Descoberta pela apresentadora Ana Maria Braga, Palmirinha passou a trabalhar no programa Note e Anote, da TV Record, até ter seu próprio programa, o "TV Culinária", da Gazeta, onde trabalhou de 1999 até agosto de 2010. "Parei com o programa da TV para ter mais tempo com minha família e contato com minhas "amiguinhas"".

Conhecida também por contracenar com o boneco Huguinho e por chamar carinhosamente as fãs de "amiguinhas", Palmirinha Onofre ganhou destaque no cenário nacional com o quadro "Top Five" do programa CQC, da Bandeirantes. Recentemente, ela participou de programas como o "Programa do Jô" e do apresentador Sílvio Santos. "Estar perto de Sílvio Santos foi uma emoção muito grande. Ele me chamar para participar foi uma honra".

Aos 79 anos, três filhas, seis netos e uma bisneta, a bauruense está muito feliz com seus novos projetos e programa lançar sua autobiografia em maio. Quem quiser conferir algumas de suas receitas, basta abrir o JC Cultura/Gastronomia.Leia a seguir os principais trechos da entrevista.


JC - Vejo a emoção de suas fãs perto da senhora. O que gostaria de dizer a elas?

Palmirinha - O meu sucesso depende desse público maravilhoso. São elas que fazem o meu sucesso. Sem essas pessoas lindas eu não estaria onde estou agora e é por isso que agradeço muito minhas "amiguinhas". Eu esqueço até de mim quando estou pertinho delas, quando vejo as carinhas lindas me cumprimentando e querendo tirar fotos comigo. Isso é carinho puro.

JC - Está realizada?

Palmirinha - Não me arrependo de nada do que eu fiz, porque eu acho que Deus me deu tanta coisa boa que é impossível me arrepender de alguma coisa. Muita gente que está com 60 ou 70 anos, às vezes fala que não dá para fazer mais nada por causa da idade. Que nada! Tenho quase 80 anos e estou queimando lenha (risos).

JC - A cozinha também é terapia?

Palmirinha - E como, viu! É remédio para muita coisa. Às vezes você mora em um prédio, desce no elevador e nem conhece a sua vizinha, não é assim? Não entre em depressão, viu! Você deve fazer o seguinte: vai para a cozinha, faça um bolinho que você aprendeu com a Palmirinha (risos) e chame a sua vizinha para comer. Um bolinho de laranja, chocolate...Aí você bate um papinho com ela e vai ver como vai fazer uma nova amiga. Falo isso porque morava em prédio e quando descia de manhã para ir para a Gazeta, descia gente comigo que nem olhava para minha cara. Então eu dizia um enorme "bom dia" para eles. Você precisa tomar esse tipo de iniciativa. Não tenha vergonha de cumprimentar e de fazer a sua parte. A vida é mais feliz assim.

JC - A culinária é um dom que nasceu com você?

Palmirinha - Minha família foi uma das fundadoras de Bauru e o primeiro hotel da cidade foi da minha mãe. Praticamente nasci dentro dele. Então eu cozinho desde os cinco anos. Eu era pequenina e minha mãe colocava um banquinho para eu alcançar e ficar mexendo a panela, para eu virar o lagarto que ela fazia no fogão a lenha... Cozinhar sempre foi a minha vida. E você nunca pode falar que sabe tudo. No meu caso, por exemplo, estou sempre aprendendo com culinaristas novas e até com as "amiguinhas". A última receita que aprendi foi uma pizza de batata que minha sobrinha me passou.

JC - Parte de sua família ainda está em Bauru ?

Palmirinha - Sim. Tenho irmã e sobrinhos aqui. Inclusive tenho uma sobrinha que tem uma marmitex maravilhosa aqui. Até tentei colocá-la no meu lugar lá na TV Gazeta. Ela tem tudo de mim e tenho certeza de que ela seria uma segunda Palmirinha.

JC - A senhora tem uma receita preferida?

Palmirinha - Não. Eu gosto de fazer de tudo: salgadinhos, bolos, pães...

JC - E consegue manter a forma comendo todas essas delícias (risos)?

Palmirinha - (Risos) Até que não gosto muito de comer. Meu prazer está mesmo em cozinhar e ver minhas "amiguinhas" fazendo minhas receitas sem estragar o material, já que as coisas estão muito caras.

JC - O termo "amiguinhas" agrada muito. De onde surgiu?

Palmirinha - Ah, trato as meninas assim porque elas são minhas "amiguinhas" mesmo. Acompanham-me desde o primeiro programa. Se não fossem minhas amigas não estariam comigo até agora. É uma palavra carinhosa que encontrei para agradecer todo o carinho que elas têm por mim.

JC - Quais são as suas lembranças da infância em Bauru?

Palmirinha - Lembro-me das brincadeiras livres, do coreto do jardim, dos correios elegantes que eu recebia dos rapazes (risos). Eu gostava de namorar (risos). Também me lembro das receitas que aprendi aqui, como o pão do sítio, receita que minha mãe fazia no forno a lenha quando morávamos no sítio.

JC - Quando saiu de Bauru?

Palmirinha - Eu tinha de cinco para seis anos de idade quando fui embora para São Paulo. Quem me criou foi uma senhora francesa, que também cozinhava muito bem e me ensinou os pratos mais sofisticados. Anos depois eu voltei, casei-me e tive três filhas. Mas, em 1960, voltei para São Paulo em busca de oportunidades de trabalho para criar minhas filhas e estou lá até hoje.

JC - Como surgiu a oportunidade de trabalhar como apresentadora?

Palmirinha - Eu saía nas ruas vendendo sonhos com sandálias de borracha e quando as correias arrebentavam, uma cabeleireira amiga colocava um grampo de cabelos para prendê-las. Assim eu continuava vendendo meus sonhos e meus salgadinhos nas ruas. Jamais imaginei que um dia trabalharia na televisão. Isso nunca passou pela minha cabeça. Bem, eu também fazia jantares e, em uma dessas festas, estava a apresentadora Ana Maria Braga, que quis saber quem havia feito aquele jantar maravilhoso. Uma das garçonetes contratadas para me ajudar me disse que uma moça loira queria me conhecer. Enrolei meu avental e fui até a porta dizer que eu não tinha cartão. Foi onde surgiu a oportunidade de participar do antigo Note e Anote, da TV Record, até ter meu próprio programa o "TV Culinária", da Gazeta, em 1999, onde fiquei por 11 anos.

JC - Por que deixou o programa?

Palmirinha - Um programa diário desgasta muito e precisava descansar um pouco, passar um tempo maior com minha família. Mas posso dizer que minha vida está maravilhosa, porque estou conhecendo coisas novas, agora. Estar aqui, por exemplo, e conhecer minhas "amiguinhas" de Bauru é uma oportunidade que não tinha antes. Agora tenho mais tempo para o contato direto com meu público fiel.

JC - Quais são os seus novos projetos?

Palmirinha - Tenho algumas propostas para fazer televisão novamente e para lançar um livro grande de receitas. No momento, meu projeto é um site, www.vovopalmirinha.com.br. Além disso, vou lançar minha autobiografia no dia 7 de maio. Até quero voltar a trabalhar na TV, mas preciso de uma proposta que valha a pena para mim, como um programa semanal ou duas vezes por semana.

JC - A senhora já participou de programas como o Programa do Jô, Sílvio Santos e CQC.

Palmirinha - Minha primeira participação em um programa de TV foi na Sílvia Popovic para falar sobre como criar filhos sozinha. Na época, jamais imaginei que estaria na TV, muito menos que seria convidada como apresentadora para participar de outros programas. Estar perto de Sílvio Santos foi uma emoção muito grande. Ele me chamar para participar do seu programa foi uma honra.

JC - Qual é o segredo para tamanha alegria e disposição?

Palmirinha - É o trabalho e o carinho da minha família e das "amiguinhas" que estão sempre comigo.


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Perfil

Nome:

Palmira Nery da Silva Onofre

Idade:

79 anos

Local de Nascimento:

Bauru/SP

Signo:

Câncer

Filhos:

Tânia, Sandra e Nancy

Hobby:

Cozinhar

Livro de cabeceira:

Gosta muito da Bíblia

Filme preferido:

Adora filmes de bang bang e romances

Estilo musical predileto:

A música sertaneja é sua preferida

Time:

Gosta do São Paulo

Para quem dá nota 10:

Para todas as "amiguinhas"

Para quem dá nota 0:

Ninguém merece essa nota

Site:

www.vovopalmirinha.com.br

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