Havana - O plano era derrubar Fidel Castro - e sua jovem revolução em Cuba, que então flertava com a União Soviética. Mas os exilados do regime que desembarcaram na Baía dos Porcos, apoiados pelos EUA, amargaram uma humilhante e rápida derrota.
Exato meio século depois, a URSS não existe mais, a ilha comemora por ser o único país comunista do hemisfério ocidental e os Castro se agarram ao simbolismo da vitória para dar ânimo à reunião que discute, a partir de hoje, o rumo a seguir para desatar o nó econômico da ilha.
O 6º Congresso do Partido Comunista, a instância máxima de poder no país, deve aprovar na terça-feira um documento com as diretrizes econômicas e sociais para os próximos cinco anos.
Segundo a cúpula do regime, dois pontos, decantados exatamente pela fracassada Invasão da Baía dos Porcos, não estão na negociação: o "caráter socialista?? da revolução e a independência em relação a Washington.
Esse é um dos motivos pelos quais a batalha de 66 horas ainda divide e comove os cubanos da ilha e os do outro lado do estreito da Flórida. Não está no horizonte a luta armada, mas os veteranos de um lado e de outro empunham convicções e acusações similares às de 1961.
"Há uma situação econômica complicada em todo mundo, não é só em Cuba. E o Congresso do Partido Comunista é muito importante para mudar o que precisamos mudar??, diz Victor Dreke, parte do "históricos??.
No outro front, um exilado derrotado na praia cubana há cinco décadas é hoje um influente ator da política americana na Flórida, Francisco "Pepe?? Fernández, 70 anos, presidente da tradicional Fundação Nacional Cubano Americana.
Agora, Fernández defende uma saída não violenta para o conflito entre o exílio e o regime. Não abandona, porém, a convicção de que o embargo econômico formalizado pelos EUA pós-derrota em 1961, ainda é uma ferramenta para pressionar os Castro.