Nacional

Virada atrai 4 milhões em São Paulo


| Tempo de leitura: 5 min

São Paulo - Enquanto a Prefeitura de São Paulo prometeu ficar de olho no lixo na Virada Cultural, garantindo limpeza atípica no centro durante a festa nesse fim de semana, o som do evento é que saiu em nada cristalino.

Não foram poucos os relatos de problemas na qualidade do som ao longo da Virada, que atraiu um público, estimado por organizadores, de 4 milhões de pessoas.

Enquanto Rita Lee dava início à festa num show para 25 mil na praça Júlio Prestes, Tiê enfrentava problemas técnicos e repetiu a primeira canção, "Na Varanda da Liz??, na rua 15 de Novembro.

Também não tiveram muita graça as piadas com som abafado de Rafael Cortez e Danilo Gentili, que reuniram cerca de 10 mil no Anhangabaú, na noite de ontem.

Piorou o fato de o telão ao lado do palco falhar antes e durante o show, gerando reclamações dos humoristas.

Num largo do Arouche abarrotado, a cantora Marina Lima também pediu desculpas pela baixa qualidade do som. "Sei o que é bom para vocês. Acreditem em mim.??

Quem estava perto do telão não conseguia decifrar as estrofes das músicas e boa parte do público esvaziou o largo antes do final da apresentação, para a qual ela mesma deu só "nota sete??.

Quase na mesma hora, na Luz, o que seria um entrosamento harmônico do heavy metal do Sepultura com os acordes da Orquestra Experimental acabou dando vitória para o rock, que sufocou o som tímido da orquestra.

Na tarde de ontem, na Praça da República, o cantor Leandro Lehart teve a voz apagada no ruído dos tambores durante a apresentação, que interrompeu duas vezes.

Mais tarde, no mesmo palco, o microfone da cantora Mart?nália parou de funcionar. Ela cantou sem o aparelho enquanto a banda continuava "Ex-Amor?? até que trocassem o equipamento.

Em entrevista a jornalistas, o secretário municipal da Cultura, Carlos Augusto Calil, disse que alguns problemas de som foram causados por geradores piores usados nos palcos menores da festa e que a prefeitura não poderia prever o problema antes de licitar o equipamento.

Procurados pela equipe de reportagem, Calil e o diretor de programação da Virada Cultural, José Mauro Gnaspini, não retornaram pedidos de entrevista.

Fora o som, a batalha dos organizadores da festa se deu em duas frentes. Exércitos de garis tentaram garantir a limpeza ao longo da festa, embora tenha havido acúmulos de lixo no Anhangabaú e no Arouche durante a madrugada. Na manhã de hoje, o centro amanheceu limpo depois que 140 toneladas de lixo foram removidas das ruas.

Ajudou nesse ponto o número cinco vezes maior de lixeiras espalhadas pelo centro neste ano em comparação com a edição anterior da festa, 4.900 ante cerca de mil.

Noutro ponto, a fiscalização mais acirrada contra a venda de bebidas alcoólicas por ambulantes não evitou que elas fossem vendidas. No total, foram apreendidas 28 toneladas de bebidas ilegais.

24 horas de Beatles


Quando a banda Beatles Forever se preparou para tocar o bis, às 18h de ontem, deparou-se com um problema, logo anunciado ao público: "Como a gente já tocou todas as músicas, vai ter que repetir alguma.??

Era verdade. Especializada no repertório do quarteto inglês que a batiza, o conjunto completava, naquele momento, 24 horas sobre o palco, no Vale do Anhagabaú.

Havia tocado 230 músicas de 15 álbuns - a discografia completa dos Beatles, em ordem cronológica, de "Please Please Me?? a "Past Masters Vol.2'?.

O vocalista Fabio Colombini, cover de John Lennon, enfatizou, pelo microfone: "Estamos aqui há 24 horas, sem dormir um único minuto??. Apontando para o fisiologista Flavio Bordezan, agradeceu: "E esse cara é responsável por a gente estar vivo até agora.??

Ao sair do palco, Marcus Rampazzo, 56, cover de George Harrison, falava: "Só quero tomar um gole d?água.??

____________________

Um morto e um ferido


São Paulo - A polícia investiga a morte de um homem ocorrida durante a Virada Cultural de São Paulo na madrugada de ontem. O homem caiu do viaduto Santa Efigênia por volta das 2h. A polícia trabalha com a hipótese de suicídio.

A morte foi divulgada pela organização do evento na coletiva de imprensa realizada no início da tarde de ontem. O evento deste ano, que seria encerrado no começo da noite de ontem, foi, segundo a organização, o que teve o saldo mais baixo de ocorrências. A polícia não informou os números.

Segundo o subprefeito da Sé, Nevoral Bucheroni, o caso mais grave de tumulto aconteceu por volta das 3h, quando uma briga entre punks e skinheads com agressões a faca deixou um ferido. Cerca de cinco pessoas foram detidas.

Outro caso de tumulto aconteceu por volta das 2h, na Praça Júlio Prestes, durante o show da banda Misfits. Segundo relatos, membros da plateia escalaram estruturas de metal e postes de sinalização da região e enfrentaram a polícia chamada ao local para controlar a confusão.

Lei seca

Até o início da tarde de ontem, a polícia tinha apreendido 28 toneladas de bebidas que estavam sendo vendidas ilegalmente durante a Virada Cultural. Segundo a organização, 12 estabelecimentos que estavam vendendo bebidas alcoólicas foram fechados e 2 bancas de jornal foram lacradas. Além disso, três veículos envolvidos em distribuição de bebidas também foram apreendidos.

Cerca de 80% da bebida apreendida trata-se de vinho químico que, de acordo com a organização, é álcool puro, equivalente ao álcool de limpeza com essência de groselha. A venda deste vinho é ilegal.

Comentários

Comentários