Amã - Manifestantes sírios gritavam palavras de ordem exigindo mais liberdade, durante um comício pelo Dia da Independência na cidade Suweida, ontem, disse uma testemunha, um dia depois do presidente Bashar al-Assad prometer suspender a lei de emergência.
O comício aconteceu para marcar o Dia da Desocupação, comemorando a saída dos últimos soldados do exército francês, há 65 anos e a proclamação da independência da Síria. Simpatizantes de Assad também estiveram no comício, declarando sua lealdade ao presidente.
Assad disse no sábado que a lei de emergência, em vigor há quase 50 anos, seria suspensa até a semana que vem. Mas ele não falou sobre as exigências dos manifestantes para que ele reduza o sistema de segurança da Síria e desmantele o seu sistema autoritário.
"Deus, Síria, liberdade, apenas isso," gritavam centenas de manifestantes no meio da multidão. Eles também gritavam "nada de medo" e slogans de apoio à cidade de Deraa, onde os primeiros protestos começaram há um mês e onde tem acontecido o maior banho de sangue.
Grupos de direitos humanos dizem que mais de 200 pessoas foram mortas desde que os protestos contra a prisão de jovens, que haviam feito grafites inspirados pelas revoltas árabes do norte da África, começaram no dia 18 de março.
A agitação sem precedentes se espalhou por todo o país rigorosamente controlado, tornando-se o maior desafio enfrentado até hoje por Assad, de 45 anos, que assumiu a presidência em 2000, quando seu pai, Hafez al-Assad, morreu, depois de trinta anos no poder.
As autoridades comprometeram-se a substituir a repressiva lei de emergência por uma legislação antiterrorismo, mas membros da oposição disseram que isso provavelmente serviria para manter severas restrições à liberdade de expressão e de reunião na Síria, sob o governo do partido Baath desde 1963.
"Quando o pacote de suspensão da lei de emergência entrar em vigor, ele deverá ser firmemente aplicado. O povo sírio é civilizado. Ele ama a ordem e não aceita o caos e a anarquia," disse Assad ao novo ministério nomeado por ele na semana passada.
A lei de emergência proíbe reuniões públicas de mais de cinco pessoas e serviu para sufocar qualquer dissidência pública, até que os sírios começaram a tomar as ruas encorajados pelas revoltas populares que derrubaram os líderes autocráticos no Egito e na Tunísia.