São Paulo - Analistas do setor financeiro veem com ressalvas a forte queda vista ontem nas ações da petrolífera OGX, da holding do empresário Eike Batista.
Logo após a abertura dos negócios, esses ativos desvalorizaram entre 15% e 16% no pregão de ontem, com um volume expressivo de negócios: mais de R$ 1,2 bilhão, isto é, quase 30% do volume total negociado na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).
"Hoje é um típico movimento de ?bate primeiro, pergunta depois?", comenta Max Bueno, analista da corretora Spinelli. Esse profissional explica boa parte da aversão à ação ordinária da OGX ocorreu em função do relatório divulgado na semana passada, a respeito das "reservas" da petrolífera.
Na semana passada, a certificadora D&M (DeGolyer & MacNaughton) estimou "as reservas" dessa companhia em 10,8 bilhões de barris. Na última avaliação da D&M, de 2009, essas reservas foram estimadas em 6,8 bilhões de barris, segundo informou a petroleira.
A notícia, que em princípio teria efeitos positivos para os papéis, gerou nervosismo no mercado, quando detalhes do relatório vieram à tona. Analistas do setor estranharam algumas premissas adotadas pela certificadora, consideradas mais conservadoras do que o esperado por profissionais do setor.
Também causou estranheza algumas mudanças na conceituação das reservas. Segundo fontes, até especialistas do setor teriam encontrado dificuldades para compreender totalmente o relatório da certificadora.
Para completar, segundo analistas que participaram da conferência da OGX para comentar o relatório da D&M, a própria companhia admitiu discordâncias e indicou que, na próxima reavaliação, poderia contratar mais uma ou duas certificadoras.
"O que aconteceu é que a avaliação da empresa (e o próprio mercado) sobre os recursos estava baseada em certas premissas. E veio uma auditora, reconhecida internacionalmente, e rebaixou essas premissas. O mercado fez os ajustes e esses ajustes vieram de uma vez só", sintetiza Bueno, da Spinelli.