Como disse minha tia-avó, única remanescente entre seus quatro irmãos, "não importa quantas vezes passamos por esse tipo de situação, nunca estamos preparados para perder alguém querido". Quando fiquei sabendo que a minha avó, figura fundamental na minha criação, havia falecido, peguei o primeiro ônibus, saindo de Curitiba para Bauru, com o único objetivo de chegar a tempo para uma última despedida.
Durante o caminho, o ônibus cruzou Ponta Grossa, cidade onde ela passou sua juventude. Pela janela, pude ver os campos que se estendem até onde a visão alcança. Me vieram de encontro as muitas histórias narradas por ela. Dos parentes exóticos de Curitiba, das brincadeiras infantis entre a serragem e as madeiras de uma velha serraria no interior remoto do Paraná, dos causos que se somaram ao longo das décadas de magistério.
Lembrei-me também de todo seu carinho, integridade e dedicação. De como ela criou so-zinha dois filhos admiráveis e como se dedicou de bom gosto a criação dos netos. E lembrei ainda de sua música favorita, que ouvimos juntos muitas vezes durante as tardes que passei com ela. Impossível conter a emoção ao lembrar a letra escrita por dois verdadeiros poetas, Chico Buarque e Vinícius de Morais. Peço licença a eles para citar um pequeno trecho, que, imagino, diga mais a respeito do momento do que eu jamais conseguiria expressar..."
E aí me dá uma tristeza
No meu peito.
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde Que vontade de chorar"...
Para Henriqueta Beatriz Carolina Franco Grilo - 1934 - 2011.
:Do seu neto Ivan Augusto Soares Vinagre