A manhã do dia 7 tinha tudo para se normal. Mas não. Foi atípica. Entrou na escola, bolsa nas costas, caminhando lentamente, chegou ao seu destino. Abriu a porta. Abriu a mochila e de lá retirou duas armas de fogo. E disparou. Disparou inescrupulosamente.14 mortos e 190 milhões de feridos foi o saldo do crime do Realengo, ocorrido na cidade que um dia já foi chamada de Maravilhosa. Esse crime foi o responsável por trazer à tona a questão do desarmamento. Movidos pela emoção, muitos dizem ser a favor e, no entanto, esquecem-se que no plebiscito de 2005 2/3 da população votaram contra o desarmamento. O problema é que o porte legal de armas não tem relação com o crime do dia 7, uma vez que as armas foram compradas no mercado negro. É premente haver a supressão do contrabando de armas na fronteira, ação que cabe ao Exército.
É espantosa a facilidade com que as pessoas insultam e matam hoje em dia, seja por política, religião, fronteiras e até futebol. Desde 1836, quando Samuel Colt inventou o revólver nos EUA, a morte tornou-se algo banalizado. Instrumento designado para defender as fronteiras do Texas dos invasores - e o fez muito bem -, o revólver é responsável por inúmeras mortes ao redor do mundo e também por reeditar o Massacre de Columbine, que manchou de sangue a história do ano de 2011.
Paulo Eduardo Palma Beraldo