Política

Chiara questiona programa federal

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Criado pelo Governo Federal para atender crianças em períodos alternativos ao escolar com práticas esportivas coletivas e individuais, o Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte ainda não deslanchou em Bauru. Previsto para ter começado no segundo semestre do ano passado, os 20 polos que deveriam atender 100 crianças de 7 a 11 anos passaram a desenvolver as atividades com os alunos da rede municipal de Educação somente no dia 28 de março deste ano.

Mas, ainda assim, a média de estudantes não passou de 60. Atrasos em licitação e repasse de verba foram apontados como fatores para a demora. A vereadora Chiara Ranieri (DEM) afirmou que pediu informações à prefeitura sobre a abrangência do programa.

A parlamentar enviou solicitação de informações ao município, via artigo 18, sobre quantos alunos são atendidos pelo programa. Ela também questiona os lugares onde foram abertos os polos. "O programa foi desenvolvido para atender população sem estrutura. Mas, por falta de locais, algumas escolas acumulam até quatro polos", pontua.

Para Chiara, o programa é positivo por isso defende que seja bem aproveitado por Bauru. "É um projeto excelente, mas tem um sentido de existir", pondera, defendendo que ele não deva ser centralizado em poucas escolas. "O Parque das Nações, por exemplo, é uma região muito carente e não tem. Porém, o bairro possui algumas sedes de associações que poderiam receber os polos", sugere.

Ela ainda avalia que falta conhecimento técnico para que a proposta seja implementada de forma satisfatória. "Se não for feito por pessoas experientes, vai continuar tropeçando", pondera.

De acordo com Flávio Ismael da Silva Oliveira, coordenador do programa em Bauru, a União já repassou cerca de metade dos R$ 750 mil do total do projeto, para aquisição de material esportivo e lanche para as crianças. A contrapartida do município, de R$ 116 mil, é referente ao salários dos monitores e outros serviços.

Ele explica que o programa, que deveria ter sido implementado no final de 2009 atrasou quase um ano por conta da demora do repasse da União, o processo de seleção dos monitores, que foi alvo de recursos por alguns candidatos, além de problemas com licitações. O coordenador admite que o Segundo Tempo não está atingindo todas as 2.000 crianças que a prefeitura se comprometeu a atender, pois ainda está nas suas primeiras semanas de atividade.

"É um fato esperado pelo Ministério dos Esportes. Hoje, temos cerca de 60 crianças por núcleo. Mas é porque os pais ainda não têm confiança ou ainda estão adaptando seus horários para conseguir levar os filhos para as escolas", afirma. "Tanto que o próprio Ministério coloca para entregar os uniforme a partir do segundo mês de atividades, já que é o tempo estimado para que as crianças estejam participando fixamente", observa.

Sobre a concentração de polos, ele observa que o projeto é desenvolvido visando alunos do ensino fundamental. Ele pondera que a prefeitura possui 16 Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef) e três delas já são atendidas por outro programa, o Mais Educação. Assim, o Segundo Tempo foi desenvolvido nas outras unidades que possuem condições adequadas.

Para descentralizar o programa, ele adianta que está em estudo o envolvimento de entidades conveniadas com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), que poderiam receber o projeto em suas dependências.

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