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Urgência e emergência na Saúde

João Sérgio Carneiro
| Tempo de leitura: 3 min

Os recentes episódios envolvendo o Pronto-Socorro Bela Vista e que culminaram com o acordo que, esperamos, amenize a situação da saúde pública em nossa cidade, propicia algumas reflexões. Nada nos devolve tanto a esperança quanto a vitória do povo. Vitória esta, madura, ordeira, fundamentada e justa. Assistimos a um envolvimento de vários segmentos, de pessoas e instituições que devem ser lembrados como imprescindíveis no resultado. Mas, senhor editor, nos emociona a participação popular efetiva que presenciamos representada pelos conselhos gestores, associações de moradores e, especialmente, pelo grupo de pessoas que, nas madrugadas, em vigília heroica, colhia assinaturas nas portas dos Pronto-Socorros. Não fomos nós médicos, nem vereadores, nem diretores ou secretários, mas pessoas, cidadãos exemplares, que nos colocaram de joelhos com sua persistência, sua civilidade e bom senso. Não foram agressivos, não pensavam em si. Eles são guerreiros do bem e da paz. Eles são do povo. Por eles, deveremos rever nossas atitudes, nosso trabalho, nossas leis e decisões se pretendermos sustentar nossa honestidade ao declararmos que todo o poder vem deles e que em seu nome exercemos nossas funções.

É preciso que seja destacado o papel do senhor prefeito municipal que, sensível, soube perceber o que era melhor para este povo. Nem todos tiveram este dom no decorrer destes anos. O mesmo se diga do Senhor secretário de Saúde, Fernando Monti, e do diretor do Departamento de Urgências e Unidades de Pronto-Atendimento, Luis Antonio Sabbag, que aliam a esta sensibilidade a competência e os resultados que não tardarão a serem percebidos a partir deste acordo e no futuro imediato com a abertura das novas unidades que certamente compensarão a longa espera. Tornar as ideias realidade também é um dom de poucos

Não podemos deixar de louvar a postura dos senhores vereadores, todos e cada um deles com sua participação constante e muita embora sua opção política foi o bem comum que orientou suas decisões

Aos colegas médicos temos a agradecer pela adesão, pela união, tantas vezes preterida pelas ocupações neste nosso dia a dia que por vezes nos fazem esquecer de fatores vitais como nossas famílias, nossa saúde e a organização de nossa classe. Para nós, esta conquista vem sobrepor a responsabilidade de demonstrar que nossa luta não é mera questão salarial. Este acordo compromete a classe médica de Bauru, representada pelos servidores públicos médicos, com a qualidade e a continuidade ininterrupta dos serviços por nós prestados à população. Evidentemente que isto não depende só de nós e certamente serão necessárias novas mobilizações tantas são as carências que vivenciamos. A presença de médicos nos pronto-socorros a partir de uma remuneração justa e compatível com o mercado é apenas o início de um longo caminho que passa pela melhoria dos espaços físicos, atualização de equipamentos, treinamento constante, retaguarda imediata e vagas em nossos hospitais, entre outras providências. Temos, entretanto, o exemplo destes pais de família, mulheres e trabalhadores, a quem chamamos carinhosamente de nossos pacientes, quem sabe não é hora de, com eles, irmos para as portas dos pronto-socorros e núcleos de saúde em vigília, ouvirmos o povo, nos unir a ele em busca de melhores condições de trabalho, por uma saúde digna e eficiente a este mesmo povo única razão de existirmos como médicos e a quem devemos dedicar nossa vida e nossa luta.


Os autores,João Sérgio Carneiro, Nilson Miranda e Paulo Roque Carlotto, são médicos do Corpo Clínico do Departamento de Urgências e Unidades de Pronto-Atendimento

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