Quero parabenizar ao JC e ao professor Luís Paulo Domingues pela matéria publicada dia 19/4, na página Opinião, quando trata da história como ciência transformadora da sociedade, como devem ser todas as matérias.
O conhecimento não é apartado da realidade. Por isso, é dever do professor, especialmente o de história, contribuir para conscientizar o estudante do significado do processo histórico, dos fatos que marcaram a evolução da humanidade, em busca de um mundo melhor e do aperfeiçoamento dos modelos de organização social.
Não basta conhecer os fatos históricos cronologicamente dispostos. É preciso interpretá-los dialéticamente junto com os alunos, em permanente relação dialógica, extraindo as lições e as consequências dos fatos marcantes.
É preciso romper a lógica da história escrita pelos vencedores, pelas chamadas classes hegemônicas que a interpretam segundo seus interesses e projetos de dominação. É preciso coragem e muita habilidade para "quebrar" essa cadeia pedagógica em que estamos presos.
No Brasil, historicamente, nativos e negros foram dizimados e escravizados pelos europeus que aqui vieram em busca de riqueza e mão de obra para atender aos interesses do capitalismo mercantil. As consequências desse fato (mal estudado e erroneamente interpretado) deixou profundas chagas em nosso povo que persistem até nossos dias... A dificuldade do professor militante é competir com parte das grandes corporações midiáticas que escravizam o jovem estudante tornando-o refém das telas de TV, do computador, etc, que condiciona e despolitiza a juventude, como constatamos a cada dia.
Apenas um reparo na matéria publicada: a religião historicamente engajada é revolucionária como testemunham aqueles que conjugam fé e ação, empenhando-se na conquista de um mundo novo como a vida e as lições de Frei Beto, Leonardo Boff, D. Pedro Casaldáliga, Helder Câmara, padre Camilo Torres, o padre guerrilheiro colombiano, Eugenne Charboneau, Comblin, Lebret e tantos outros religiosos.
Isaías Daibem