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Aumenta a participação de jovens nos rituais da Sexta-feira Santa

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

O Brasil é um País católico e dados comprovam a afirmação: 64% dos brasileiros se declaram adeptos dessa religião, segundo pesquisa do Datafolha de 2007. Desta população, uma parcela de jovens pode ser vista cada vez mais participativa e ativa nos movimentos cristãos. Ontem, Sexta-feira Santa, confissões ocorreram em diversas paróquias da cidade pela manhã. Em Bauru, muitos jovens participaram da celebração da Paixão de Cristo na Catedral do Divino Espírito Santo, à tarde.

A celebração contou com encenações simbólicas, como a Adoração à Cruz. A programação foi encerrada com a Procissão Senhor Morto, iniciada por volta das 19h.

Esses rituais católicos lembraram a morte de Jesus, que simboliza sacrifício e passagem para a salvação. E, em grande parte deles, os jovens marcaram presença, conforme observaram padres e outros religiosos.

Além desses eventos, a Sexta-feira Santa, também chamada de Paixão de Cristo, é carregada por penitências, tais como jejuns, abstinências, confissões, vigílias e peregrinações. Por mais antigas que sejam, não somente pessoas de idade mais avançada procuram segui-las. Mais uma vez, a participação de jovens nestes rituais também são cada vez mais significativas.

"Eu fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que participaram das celebrações desta semana, inclusive, de jovens. Ontem, muitos deles fizeram suas confissões e participaram dos eventos religiosos", indicou o padre Enedir Gonçalves Moreira, paróco da Paróquia Universitária do sagrado Coração de Jesus.


Entendimento


O vigário geral da Diocese de Bauru, padre Luiz Antônio Lopes Ricci, pároco da paróquia São Cristóvão, confirma a participação dos mais jovens nos eventos e das penitências. Mas salienta que cada um tem uma forma de buscar seu momento com Deus e que, antes de se submeter a alguma tradição, o jovem busca questioná-las.

"O importante não é seguir a tradição simplesmente por seguir. Em cada ato, é importante entender o significado que está por trás. Não se pode somente reproduzir um ritual. E nisto, a juventude está mais crítica, mais questionadora. Estão buscando seguir alguma tradição, mas de maneira mais madura", expõe Ricci.

A reportagem do JC averiguou e comprovou a participação da juventude em eventos marcantes do calendário católico ontem. A reportagem procurou por jovens nos "points" da cidade, em horários que costumam ficar lotados. No entanto, na avenida Getúlio Vargas, havia muitos bares abertos, mas com todas as mesas vazias. Outros estavam de portas fechadas, ou com previsão de abertura para hoje.

Em contrapartida, a celebração da Paixão do Senhor na Catedral do Divino Espírito Santo, na tarde de ontem, reuniu pessoas de várias idades, com visível participação dos mais jovens.

Marco Antonio Harote Filho, de 27 anos, era um deles, que foi por vontade própria até a igreja para não perder a celebração, que começou por volta das 15h.

"Busco, nesta data, não ouvir músicas e sim fazer uma reflexão, já que Jesus doou a vida por nós, então, temos que respeitar", enfatizou o rapaz.

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?Cada um busca a Deus de uma forma?


Para muitos, o rigor das tradições religiosas deve imperar quando se fala de Sexta-feira Santa. Algumas pessoas ainda buscam fazer jejuns , ficando sem tomar o café da manhã, deixando de comer doce ou, realmente, não comendo nada.

Outros não ligam a televisão nem o rádio, ficam em silêncio total. "Todos esses atos são maneiras de se unir ao sofrimento de Cristo. Podem até significar um gesto de solidariedade com quem não tem nada e passa por necessidades", explica padre Ricci.

Todavia, cada um tem o seu modo de buscar um momento com Deus. "Há pessoas mais rigorosas, outras mais moderadas e há as que não ligam e passam a Sexta-feira Santa como outro feriado qualquer: viajam, vão a barzinhos. Não se pode julgar o que cada um faz neste dia, mas acredito que, independentemente da forma como cada pessoa passa esta data, existe uma forma pessoal de buscar seu momento com Deus", realça o vigário da Diocese de Bauru.

"Qualquer pessoa, mesmo estando na praia ou em outro lugar, tem um jeito de mostrar seu amor a Deus", reitera.

Ricci aponta que a Paixão de Cristo está relacionada a um momento de passagem, já que celebra-se a dor de Cristo, mas com olhar direcionado para a ressurreição.

"É um momento de renovação, em que deve-se buscar mudar certas atitudes, um tempo de bons propósitos", avalia. Assim, cada um busca refletir este momento, já que o ser humano, por natureza, tem necessidade de evoluir.

"Todos nós temos necessidade de melhorar, mudar algo em si mesmo. Este olhar para dentro tem reflexo em toda a sociedade depois, pois para mudarmos aos outros, primeiro precisamos mudar a nós mesmos. Esse é o significado primordial da Páscoa", frisa padre Ricci.

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