Internacional

Massacre no Síria deixa ao menos 70 mortos


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Jordânia - Forças de segurança sírias mataram ao menos 70 manifestantes ontem, disseram ativistas, no dia mais violento em um mês de protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

A organização de direitos síria Sawasiah disse que 70 civis foram mortos em todo o país, nas maiores demonstrações já registradas.

O diretor do grupo de direitos humanos Insan, Wissam Tarif, forneceu dado semelhante sobre mortos.

"Ao menos 72 pessoas foram mortas até agora. O número de feridos excede 80 pessoas em Homes e seus vilarejos e os vilarejos de Deraa", disse ele à Reuters.

Não é possível confirmar independentemente as informações.

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas ao redor da Síria e cantaram pela "derrubada do regime," refletindo o endurecimento das reivindicações que inicialmente tinham como foco reformas e mais liberdade.

Os protestos, que ocorreram apesar de Assad ter suspendido o estado de emergência um dia antes - reivindicação central dos manifestantes - foram reprimidos a bala e com gás lacrimogêneo, disseram testemunhas.

O governo norte-americana pediu que a Síria interrompa a violência contra manifestantes e o secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, disse que a lei de emergência deveria ser "levantada na prática, não somente em palavra".

Anteontem, Assad assinou um decreto suspendendo a lei de emergência imposta pelo Partido Baath assim que assumiu o poder após um golpe, há 48 anos. Outras leis, porém, ainda dão amplos poderes às forças de segurança e a oposição intensificou as demandas por concessões.

"Esse foi o primeiro teste sobre a seriedade das autoridades e eles fracassaram," disse ativista Ammar Qurabi.

Antes da violência de ontem, os grupos de direitos humanos diziam que mais de 220 pessoas haviam morrido desde o início do levante, em 18 de março, na cidade de Deraa, no sul do país.

Assim como nas revoluções da Tunísia e do Egito, que derrubaram do poder Zine al-Abidine Bem Ali e Hosni Mubarak, os cidadãos se rebelam contra a falta de liberdade e oportunidades, a impunidade das forças de segurança e a corrupção que enriqueceu a elite, enquanto um terço dos sírios vive abaixo da linha da pobreza.

Na primeira declaração conjunta desde o início dos protestos, ativistas que coordenam as manifestações populares exigiam na sexta-feira a abolição do monopólio do poder do Partido Baath e o estabelecimento de um sistema político democrático.

"Todos os prisioneiros de consciência devem ser libertados. O aparato de segurança existente deve ser desmantelado e substituído por um com jurisdição específica e que opere de acordo com a lei," disseram eles no comunicado, que foi enviado à Reuters.

Com o auxílio da família e do aparato de segurança, Assad, que tem 45 anos, detém o poder absoluto na Síria.

Os protestos correram o país de 20 milhões de habitantes, da cidade mediterrânea de Banias às cidades do leste de Deir al-Zor e Qamishli. Em Damasco, as forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo para dispersar 2 mil manifestantes no distrito de Midan.

Na cidade de Hama, onde o pai de Assad reprimiu violentamente um levante armado há quase 30 anos, uma testemunha disse que as forças de segurança abriram fogo para evitar que os manifestantes chegassem ao quartel-general do Partido Baath.

Testemunhas afirmaram que as forças de segurança também atiraram contra manifestantes no distrito de Barzeh de Damasco, na cidade de Homs, no subúrbio de Douma, em Damasco, e contra manifestantes que iam para a cidade de Deraa, onde o levante sírio começou há cinco semanas.

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