Economia & Negócios

Jovens tornam-se empreendedores

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Misto de insegurança e satisfação. É isso que Allana Ciniciato sente desde janeiro deste ano, quando abriu um escritório de arquitetura em Bauru. Com apenas 23 anos, ela é um exemplo das centenas de jovens bauruenses que estão optando por fugir da grande concorrência do mercado de trabalho para abrir e gerir a própria empresa.

De acordo com uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em todo o Brasil os empreendedores com menos de 30 anos já somam 320 mil pessoas, o que equivale a um terço dos formalizados. Já especificamente aos menores de 20 anos, esse número fica em 40 mil jovens.

Em Bauru - que se encaixa nos resultados apurados pela pesquisa nacional -, cerca de 35% a 40% dos atendimentos realizados mensalmente pelo órgão são de pessoas cuja faixa etária está entre 18 e 24 anos.

E esse número realmente é expressivo, uma vez que o Sebrae realiza em média 400 atendimentos por mês. Ou seja, considerando a estimativa realizada pelo órgão, são aproximadamente 160 jovens que procuram mensalmente orientação sobre como abrir uma empresa.

Porém, a iniciativa de iniciar um negócio ainda na adolescência não é fácil. "Quando fui abrir minha empresa, eu fiquei com medo. Contei com o apoio da minha família tanto moral quanto financeiro. Acho que fiz a escolha certa, mas ainda estou insegura. Minha sorte foi ter feito estágio no ramo de arquitetura e trabalhado um ano em uma outra empresa", conta Allana.

É exatamente essa "bagagem" que o diretor regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiase, coloca como importante para o jovem que toma essa decisão. "Se a pessoa não tem tanto conhecimento sobre o ramo da empresa que pretende abrir, é necessário que faça um amplo estudo", explica.

Entretanto, mesmo com essa ressalva, Debiase faz uma leitura positiva desses números levantados e acredita que dois pontos são fundamentais para o crescimento na quantidade desses jovens empreendedores.

O primeiro fator seria a grande gama de informações circulante e a disposição dos jovens em buscá-las. "Atualmente, a quantidade de informação que circula é muito grande. E os jovens buscam essas informações e acabam enxergando mais essa opção".

De acordo com ele, a evolução dos meios de comunicação foi fundamental para esse processo. "Hoje, com a popularização da Internet, isso é muito visível. O número de downloads de material do nosso site é bastante grande e muito maior do que há alguns anos."


Formação


Ainda para o diretor regional do Sebrae, o segundo tópico que contribui para esse aumento nos jovens interessados em abrir o próprio negócio é a formação.

"As universidades têm falado muito em empreendedorismo. Acredito que isso está motivando os jovens em seguir por esse caminho. Eles já saem das universidades sabendo dessa possibilidade".

E a tendência é de que esses números cresçam ainda mais. Debiase afirma que "as pessoas mais qualificadas e com nível universitário provavelmente devem procurar cada vez mais abrir o próprio negócio. É uma tendência, pois querem alçar voos mais altos na carreira".

Mesmo questionado pelo fato do mercado de trabalho brasileiro necessitar de mão de obra mais qualificada, Milton Debiase não crê que isso possa mudar essa tendência, que empurra cada dia mais jovens ao empreendedorismo.

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Dicas para prosperar


Contudo, o diretor regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiase, alerta para o risco de que o negócio não prospere e aponta vários procedimentos para amenizar essa possibilidade. "O principal é fazer um plano de negócio. Para isso, o Sebrae oferece orientações em como minimizar esses riscos".

Ele explica que é preciso fazer um paralelo administrativo e financeiro para saber se realmente o negócio será lucrativo. "Todo mundo que quer abrir um negócio precisa fazer uma projeção de vendas e de custos para verificar o que espera da empresa".

Também é necessário verificar o capital a ser investido. Segundo Debiase, isso varia muito, porém, a tendência é de que o ramo industrial, que demanda mais tecnologia, necessite de mais investimentos do que o de serviços.

Analisados todos esse pontos, ainda é preciso uma análise de mercado para conhecer o nível de concorrência. "Quando tudo isso é analisado, muitos tomam a decisão de não abrir o empreendimento. Algumas verificam que não será lucrativo e outros até percebem que não é o ramo que gostariam de seguir", conclui.

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Menores de 18 anos também podem abrir o próprio negócio


Não são somente os jovens recém-formados ou que ainda estão cursando uma universidade que podem entrar no nicho do empreendedorismo. Os adolescentes que têm menos de 18 anos também podem entrar como sócios em novas empresas.

Segundo Paulo Roberto Martinello, administrador da regional de Bauru da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), a lei dispõe essa possibilidade, entretanto, há algumas ressalvas. O jovem apenas assume como sócio-cotista e não pode administrar a empresa.

Martinello aponta que, para o jovem, é uma grande oportunidade de enriquecer o currículo. "Hoje, a falta de oportunidades no mercado de trabalho existe. O jovem que faz parte de uma empresa, mesmo sem poder administrar, pode participar dela. Isso já é muito bom para seu currículo e para quando for buscar outras oportunidades".

Ele explica que os casos mais comuns de jovens com menos de 18 anos que entram em sociedade para abrir a própria empresa são em ramos que se encaixam ao perfil. "Temos exemplos de lan houses e também em manutenção de computadores. É mais nessa parte de informática que, além de ser do domínio de muitos jovens, não requer grandes capitais envolvidos".

Esse capital social, que é o dinheiro a ser investido no empreendimento, difere de acordo com a faixa etária. Os púberes, de 16 a 18 anos, que podem ser emancipados e assistidos, podem declarar uma parte do capital a ser utilizado no empreendimento e depois capitalizar o restante. Justamente pelos riscos, os impúberes, que são os menores de 16 anos e representados por um adulto responsável, precisam capitalizar na íntegra o total que será aplicado no negócio.

Além de vantajoso para os jovens, o administrador regional da Jucesp Paulo Martinello explica que, nas sociedades, o nível de risco é menor. "Quando uma empresa ?quebra?, além do dinheiro capitalizado no investimento, todos os bens do proprietário podem ser recolhidos. Quando há a sociedade, mesmo com jovens, isso não ocorre. O que é recolhido é somente esse capital. É muito interessante uma sociedade com um filho, por exemplo, devido ao grau de confiança", conclui.

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