Economia & Negócios

?Abri uma empresa aos 16 anos?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Hoje, Diego Tossi tem 28 anos e é dono da franquia bauruense de uma famosa rede especializada em produtos para reparos domésticos e itens de consumo e uso pessoal. Entretanto, quem vê o sucesso atual do empresário não imagina que ele abriu a primeira empresa aos 16 anos.

"Com essa idade, eu abri uma empresa de telefonia em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a qual toquei por oito anos. Cheguei a ter 10 pontos de venda da minha empresa na cidade", conta.

Depois de todo esse período, ele abriu uma empresa de cosméticos, que manteve por outros dois anos. Finalmente, ele se mudou para Bauru, onde adquiriu a franquia atual. O sucesso foi tanto que, em julho, será aberta a segunda unidade da rede na cidade.

Formado em direito e com pós-graduação em marketing e vendas, Tossi relembra que a opção de se tornar um empreendedor sempre foi um ideal. "Sempre tive em meu sangue essa questão das vendas e toda a vida acreditei que a receita do sucesso é o bom atendimento. Assim, queria oferecer esse atendimento bom ao cliente e, para isso, queria formar minha própria equipe. Foi por isso que persegui esse ideal".

Entretanto, Diego conta que conciliar a idade famosa pela "curtição" e a responsabilidade não é tarefa fácil. "Assumir essa responsabilidade tão novo significa abdicar de uma série de lazeres que a idade proporciona. Por isso, o jovem que opta por virar um empreendedor precisa ter uma cabeça bem formada para dar conta disso".

Outros obstáculos também aparecem ao longo do caminho. Todavia, o empresário afirma que é nesses momentos que o empreendimento se fortalece e consolida no mercado.

"Durante todo esse tempo que sou empresário, já passei por muitos problemas. Várias dessas crises afetaram meus negócios. Mas é nessa hora que precisamos ser fortes e mostrar o nosso potencial. Precisamos aprender com os nossos erros e também com os dos outros. Além de muito trabalho, é necessário ter essa visão para poder mudar algumas coisas".


Suscetível a mudanças


Sempre quando um jovem vai abrir o próprio negócio, surge um dilema: será que a falta de experiência não atrapalhará o sucesso do empreendimento? Entretanto, conforme a recomendação do empresário Diego Tossi, a maleabilidade de lidar com as mudanças pode ser fundamental para compensar essa deficiência.

O diretor regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Bauru, Milton Debiase, confirma que essa característica do perfil da idade pode ser fundamental para o sucesso.

"Vemos um medo muito grande de mudanças nos empreendedores com idade mais avançada. Já o jovem é diferente. Ele é aberto às informações e também às mudanças. E, hoje, o mercado tem muitas mudanças. Quando um jovem vê que segue pelo caminho errado, ele não tem receio em recuar. Isso é muito importante para o sucesso", recomenda.

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?Sucesso está na balança de gerações?


Com 16 anos, Cristiano Martinello começou a trabalhar. Naquela época, ele tinha uma série de objetivos. Oito anos depois, certamente conseguiu realizar um deles. Juntamente com seu pai, Paulo Martinello - que além de administrador da regional da Jucesp, tem um escritório de contabilidade -, ele conseguiu seu próprio negócio.

Hoje, com 29 anos, garante que as vantagens em ser um empreendedor são muitas. "Podemos aceitar novos desafios e temos sempre que ?dar o sangue? pelo negócio. Há uma preocupação maior em trazer novos projetos".

Entretanto, Cristiano, que é formado em ciências contábeis e pós-graduado em Perícia Judicial e Auditoria Contábil, afirma que deve haver um equilíbrio entre o ímpeto e a cautela. "Como eu sou sócio com meu pai, vejo uma balança de gerações. Geralmente, eu sou mais impulsivo e quero novos desafios. Já meu pai é mais cauteloso e avalia melhor. Acho que esse equilíbrio ajuda muito", completa.

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?Encontrei o lugar adequado?


Depois de morar algum tempo no Canadá, Joel Vanderlei de Castro Filho voltou a Bauru com 20 anos e não encontrou na cidade uma posição que o atraísse no mercado de trabalho. Ficou deslocado até ser chamado para uma sociedade em uma empresa de soluções em automação industrial.

Aceitar a proposta mudou sua vida. "Quando você tem seu próprio negócio, você busca diretrizes e pode buscar seu lugar. Hoje, sinto que encontrei o lugar adequado."

Outro ponto favorável é que, quando aceitou fazer parte da sociedade, ainda estava no curso de administração e isso o ajudou na formação. "A diferença entre um aluno e outro de uma universidade é o que ele fez fora dela. Isso é o diferencial que vai ser decisivo depois que ele se formar. E nesse ponto, você participar de uma empresa ajuda muito", finaliza o empresário Joel Castro Filho.

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