Regional

Hospital de Botucatu busca excelência em transplantes

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Quem aguarda na lista de espera para um transplante, especialmente de fígado, pâncreas e rim, sabe bem da dificuldade. Encontrar um doador de órgãos é como procurar uma agulha no palheiro. A lista é estadual e quando aparece um doador o receptor tem de estar em estado grave e ver se há compatibilidade de sangue. O tamanho do doador tem que ser semelhante ao daquele que vai receber o órgão. Um fígado de adulto, por exemplo, não serve para uma criança.

A fila de espera na região de Bauru ultrapassa a 100, embora o Estado de São Paulo seja o que mais registra doações de órgãos em todo o território nacional, frisa o cirurgião Juan Carlos Llanos, do Programa de Transplantes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp.

"Os números do Estado de São Paulo são parecidos com os dos Estados Unidos e Europa. Algo em torno de 25 doadores por milhão de habitantes/ano. No Brasil, a fila de espera por um órgão tem 70 mil candidatos. A boa notícia é que a fila para candidatos a receber uma córnea está praticamente zerada.", diz ele.

Em janeiro deste ano, um "sortudo", Cláudio Luiz Nogueira, 49 anos, foi quarto paciente a receber pâncreas e rim ao mesmo tempo, no HCFMB, apenas 20 dias depois de ter sido inscrito na fila de espera. O hospital não realizava o procedimento há seis anos.

O médico ressalta que foi feito um transplante simultâneo e há mais cinco pacientes na fila. "A necessidade é maior. transplante de pâncreas/rim seria 20 transplantes por um milhão de habitante por ano. Para a região seria por volta de uns 50 transplantes por ano."

Segundo o médico responsável pelos transplantes de pâncreas/rim do HCFMB, Leonardo Pelafsky, a rejeição do pâncreas é um pouco mais elevada, mas como a cirurgia é feita juntamente com o rim, fica mais fácil agir preventivamente, possibilitando que o corpo tenha mais chances de aceitar os novos órgãos. "Este é um procedimento que gera mais qualidade de vida ao paciente. Ele se livra do diabetes e da hemodiálise e tem menos chance de morrer."

Na busca pela excelência, o HCFMB tem que reunir condições hospitalares, equipe especializada, ter residência na área e ser credenciada pelo Ministério da Saúde. "Para o transplante de pâncreas fomos credenciados no final do ano passado. Há mais de 20 anos fazemos transplante de córnea. O de fígado começamos este ano, falta sermos credenciados para o cardíaco, o de medula e o de pulmão. Estamos aguardando a autorização para este ano." O diferencial, segundo o médico, é que o hospital já ultrapassou os 500 transplantes. Há ainda programa de residência médica em parceria com o hospital Albert Einsten, de São Paulo.

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