Regional

Quando o coração para de bater

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Quando o coração para de bater, os demais órgãos já faliram e a possibilidade de transplantes não existe mais, exceto para córnea. Um dos principais motivos da pouca doação de múltiplos órgãos e uma preocupação constante da equipe de transplantes, enfatiza o médico cirurgião Juan Carlos Llanos.

"É uma questão médica e filosófica. A pessoa morta é aquela que teve morte encefálica. A morte do encéfalo é a efetiva. Isso não quer dizer que o coração parou. Muitas vezes o coração continua batendo, por horas e dias, porém, quando isso acontece, os demais órgãos não servem mais para serem transplantados."

A morte do encéfalo tem que ser constatada por dois médicos e exames complementares. "São dois profissionais que avaliam. Se houve morte do cérebro, o quadro é irreversível. Mas as famílias não entendem isso e preferem esperar o coração parar. Quando ele para, somente a córnea pode ser retirada e transplantada."

Para o cirurgião, quando as famílias entendem isso, há doação de múltiplos órgãos. "A maioria das famílias que entende doa todos os órgãos. Tem a morte do paciente que para o coração e tem a morte que para o cérebro. Depois que para o cérebro, a gente tem algumas horas ou dias com o coração batendo. O coração funciona num sistema autônomo, independentemente do cérebro. Só que isso não é para sempre. Quando o coração para de bater a família quer doar e nós somos obrigados a rejeitar. Em função dessa falta de entendimento das famílias, a fila de córnea zerou, mas para múltiplos órgãos continua com fila de espera."

Para ele a grande dificuldade no Brasil inteiro é encontrar doador. "Faltam equipes especializadas, hospitais credenciados. Estamos tentando credenciar o HCFMB para todos os tipos de transplantes."

Doação de órgãos/região


2009 ? 9 doações

2010- 16 doações

2011- 17 doações ( primeiro trimestre)

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