Uma nova metodologia de trabalho implantada no Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) está aumentando o número de doares de órgãos. A captação envolve 10 cidades da região, sendo que Bauru é a principal delas.
Em 2009, o centro de captação recebeu nove doações de todos os órgãos. No ano passado, o número quase que dobrou: foram 16 doares e este ano, no primeiro trimestre, 17, ressalta o diretor Reginaldo Carlos Boni.
"O principal doador são as vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) do sexo feminino, com idade acima de 25 anos."
A nova metodologia que já surte efeitos positivos em nome da vida funciona com a busca ativa. Ou seja, profissionais da saúde são treinados em todos os hospitais da região para notificar os possíveis doares, explica o médico. "Temos um grande número de hospitais e em cada um deles há profissionais que fazem a notificação para a central de transplantes."
Mas quem são os possíveis doadores? São pessoas com o diagnóstico de morte encefálica, o que não significa que o coração parou, explica o médico. "Quando a pessoa é examinada duas vezes, por médicos diferentes que constatam a morte encefálica. Para que não haja problemas é feito mais um exame complementar."
O eletroencefalograma é o exame de constatação da morte encefálica que somado a um exame complementar dá a certeza que para a situação não há reversão. "Só então podemos dizer que a pessoa está morta, mesmo com o coração batendo."
A partir da morte encefálica é que a central tem que ser notificada. "Alguém do hospital vai ver o paciente e acompanha todo o processo iniciado a partir do momento que o diagnóstico é fechado. Só então conversamos com a família. Temos conquistado as famílias. Elas autorizam, porque entendem a necessidade."
Vencida essa etapa, os órgãos são retirados. Mas a maior dificuldade ocorre na notificação, comenta Boni. "O problema não é a família e sim os médicos que não notificam. Existem poucas notificações. Há vários mortos internados pelos hospitais que têm morte encefálica que não são notificados. Há preconceito, falta informação, uma série de motivos."