Bairros

Nações Unidas: uma avenida em constante transformação22

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Uma grande erosão com terra por todo lado e nenhuma casa nas proximidades. Identificar na periferia de Bauru qualquer área com estas características é uma tarefa relativamente simples, mas tente encontrá-las em um espaço existente na região central da cidade. Parece impossível? Pois saiba que há exatos 50 anos esta descrição se encaixava perfeitamente no cenário que compunha o local onde hoje está localizada uma das mais belas e movimentadas avenidas da cidade: a Nações Unidas.

De quando começou a ser construída, em outubro de 1961, até hoje, a avenida e os bairros em seu entorno sofreram grandes e gradativas transformações. Nos primeiros anos, inclusive, muita gente chegou a duvidar que aquele grande buraco recheado de terra podia ser transposto e, mais que isso, transformado em uma via de trânsito intenso.

"A ideia inicial era apenas ligar o centro à região da Vila Cardia. Depois é que a prefeitura foi percebendo que a Nações tinha potencial para ser muito mais que isso", conta Adelmo Bertussi, assessor técnico da divisão de projetos viários da Secretária Municipal de Planejamento (Seplan), que trabalha no local há 49 anos e ajudou a traçar a avenida de cabo a rabo.

A primeira fase da obra ficou restrita ao Centro da cidade e chegou até a avenida Rodrigues Alves. Na segunda etapa, a via foi estendida até o cruzamento com a Duque de Caxias, ganhou praças e a canalização do córrego Ribeirão das Flores. Na sequência, foi construído o Parque Vitória Régia, mais praças e o prolongamento até a rodovia Marechal Rondon. Depois, a Nações chegou até a rodovia Bauru-Ipaussu, somando 58 quadras. Atualmente, a cidade vive a fase de construção da Nações Norte, trajeto que ligará a via à rodovia Bauru-Marília e garantirá à avenida o título de mais extensa de Bauru, superando a Rodrigues Alves.

O fato de ter sido construída sobre uma área desvalorizada pelo município, possibilitou que a Nações adquirisse características muito peculiares, que mais tarde fizeram dela um dos cartões-postais do município. Foi dela que o primeiro astronauta brasileiro, o bauruense Marcos Pontes, se lembrou quando fez sua viagem ao espaço.

Uma de suas principais características é a grande quantidade de áreas verdes existentes em toda sua extensão. De acordo com Adelmo Bertussi, a preservação de praças, canteiros e até mesmo do Parque Vitória Régia só foi possível por conta do valor comercial quase nulo do local. "Ninguém tinha interesse em morar ali. Na época, construir canteiros mais largos era uma grande inovação. Hoje, priorizamos isso na cidade porque sabemos que sem eles não é possível fazer baias e retornos decentes", explica Bertussi.

As pistas de 8,5 metros, com faixas triplas e marginais também eram modernissímas e tinham o objetivo de consolidar a avenida como uma via de fluxo rápido.


Lentamente, as poucas casas de madeira que subexistiam em sua extensão sucumbiram ao valor das ofertas de compra do terreno, que não paravam de aumentar, e deram lugar a prédios, restaurantes, lojas de carros e escritórios, transformando o local em um grande e luxuoso corredor comercial. Por enquanto, apenas a avenida Nações Norte, que ainda está em fase de construção, e o trecho que liga a rodovia Marechal Rondon à Bauru-Ipaussu, que tem pouco comércio e quase nenhuma casa, ainda podem ser considerados calmos para o jeito Nações de ser.


Ninguém é perfeito


Nos últimos anos, o que era moderno tornou-se obsoleto e os defeitos da avenida que é considerada a mais bela da cidade começaram a aparecer.

Nos fins de tarde, por exemplo, já é possível perceber pequenos engarrafamentos, causados pelo constante aumento na frota de veículos e também pelo aumento de cruzamentos com semáforos e radares. Sob esta perspectiva, não restam dúvidas: a Nações já foi uma via de fluxo rápido.

Além disso, no período de chuvas, muitas vezes, a bela avenida é, em questão de minutos, transformada em um cenário perfeito para um filme de terror. Isto porque o trecho compreendido entre o Parque Vitória Régia e o Teatro Municipal recebe uma grande carga de água, superior à rede de vazão, e inunda com facilidade a pista. Com a velocidade, a água causa estragos e até mortes.

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