Bairros

Cancelamento de voo vira caso de polícia

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

Indignação e irritação podem traduzir o sentimento dos passageiros que viajariam do Aeroporto Moussa Tobias com destino a São Paulo, no início da tarde de ontem. O voo, que seria operado pela empresa Gol Linhas Aéreas e estava marcado para às 13h30, foi cancelado por problemas técnicos. Os passageiros, porém, só receberam a notícia por volta das15h, mais de uma hora após o horário previsto para a decolagem. Entre os passageiros impossibilitados de viajar, estava o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que acionou a Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência contra o que chamou de descaso e desrespeito por parte da companhia aérea.

O parlamentar conta que costuma viajar à Capital do Estado via terrestre, mas, em razão de um compromisso político no início da tarde, preferiu ir de avião. Os demais membros de sua equipe saíram de Bauru ao meio-dia, de carro. "No fim das contas, eles chegaram lá antes de mim. Não recebemos qualquer tipo de informação sobre os motivos do atraso. Só depois de muito tempo, avisam que vão cancelar o voo", relatou Tobias.

Inconformado com o mau atendimento e a falta de informações, o deputado chamou a PM e afirma que vai acionar a companhia aérea e cobrar reembolso pela passagem. "Só a ida custou R$ 700,00. Não tenho o hábito de viajar de avião para a Capital, mas o pior de tudo é que outros passageiros me falaram que problemas como esse são corriqueiros", aponta Pedro.

O médico Roberto Tussi, 59 anos, era outro passageiro que demonstrava preocupação por conta do cancelamento do voo. Morador da cidade de Passo Fundo (RS), ele aproveitou o feriado para visitar o filho em Marília, mas voltará a trabalhar já na manhã de hoje. Com a solução apresentada pela Gol em providenciar um ônibus para levar os clientes a São Paulo, a previsão de Tussi era de chegar ao seu destino final e seguir diretamente para a sala de cirurgia. "Tenho um procedimento marcado. Pelo que fui informado, vou de ônibus até São Paulo, pego um voo às 21h45 para Florianópolis. De lá, sigo para Porto Alegre e depois enfrento mais quatro horas de estrada rumo a Passo Fundo", explica o médico.

Em meio a muito tumulto, a bancária Marina Novelli Lorenzetti Gil, 37 anos, lamentava a frustração logo no início de suas férias. "Isso não é justo. Estou aqui desde às 11h10 com duas crianças pequenas e uma senhora de 65 anos, que sequer conseguiram almoçar. O pior de tudo é que não temos previsão de quando a situação será solucionada. Estão atendendo caso a caso, mas dando prioridade aos passageiros com destino final no Rio de Janeiro", contou.

A dona de casa Terezinha Martins, 55 anos estava irritada. Ela estava acompanhando a cunhada, que ganhou em uma promoção o direito de viajar a São Paulo para participar de um evento que começaria às 18h30 de ontem. "Já nem sabemos se vamos mais. O problema é que não conseguíamos dar um posicionamento para o pessoal que esperaria a gente por lá porque a empresa não nos dava informação sobre o que estava acontecendo nem previsão de decolagem", afirmou.

A solução encontrada pela aposentada Vera Lúcia Andrade, 52 anos, foi adiar a passagem do filho para o voo de Bauru a São Paulo que deve ser realizado na tarde de hoje. "O problema é que eu soube que já aconteceram algumas situações em que voos foram cancelados em dois dias consecutivos", apontou.

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Problema frequente


Um dos passageiros que viajariam no voo cancelado na tarde de ontem conta que mora em Brasília, mas viaja regularmente a Bauru. Ele, que preferiu não ser identificado, afirma que 70% dos voos no Moussa Tobias sofrem atrasos ou são cancelados.

A representante Andressa Roberta Bordadágua, 26 anos, confirma a informação. Ela relata que vai a São Paulo frequentemente e sempre ocorre algum tipo de problema com os voos em Bauru. "Quando liguei para meu marido e contei o ocorrido, ele nem se espantou. Já virou rotina. O maior problema é que perdi um dia de reunião profissional, sendo que a empresa adquiriu a passagem há cerca de um mês", pontua.

Andressa reclama também do fato de viajar no ônibus oferecido pela companhia aérea mesmo tendo pago o valor por uma passagem de avião. "A gente paga um e usufrui de outro. Isso é um absurdo. Conheço outras pessoas que já tiveram que passar por isso. O pior é que não adianta fazer nada, porque a empresa pouco se importa, mesmo com passageiros crianças, idosos e até gestantes".

Para agravar ainda mais a situação dos passageiros que se deslocam de Bauru a São Paulo por vias aéreas, clientes relatam que os problemas também são constantes na outra empresa que opera esses voos, a TAM/Pantanal. "O que eu não entendo é como permitem que as companhias vendam passagens para aviões que têm defeitos com tanta frequencia, ocasionando o cancelamento de voos".

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Causa: manutenção não-programada


Procurada pela reportagem do JC, a assessoria de imprensa da Gol não informou quantos passageiros estariam no voo 1061, que sairia do Aeroporto Moussa Tobias às 13h30 de ontem. A empresa também não explicou quais foram todas as providências tomadas em relação aos passageiros prejudicados, mas enviou nota oficial alegando que o voo foi cancelado devido à necessidade de realização de manutenção não-programada na aeronave que estava designada para a viagem.

A companhia aérea informou, porém, estar empenhada em atender os clientes da melhor forma possível, de acordo com resoluções da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e que, apesar do desconforto aos passageiros, o cancelamento foi necessário para garantir a segurança operacional.

O Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), que administra o Moussa Tobias, confirmou que o voo de Bauru com destino a São Paulo foi cancelado por problemas técnicos da Gol Linhas Aéreas. O órgão informou ainda que o aeroporto apresentava condições propícias para pousos e decolagens na tarde de ontem.

A assessoria de imprensa do Daesp alegou também que aguarda o recadastramento do aeroporto Moussa Tobias junto à Anac para que esteja autorizada a operação com instrumentos, o que permitiria o pouso de aviões no local durante condições climáticas adversas, como forte nebulosidade. Ainda não há prazos oficiais para que isso aconteça. A reportagem do JC, no entanto, apurou que existe a possibilidade dessa liberação para o dia 14 de maio.

A "novela" referente à utilização dos equipamentos de navegação teve início em 2008, quando o Daesp providenciou a aquisição dos instrumentos. Entretanto, os dispositivos ficaram meses no almoxarifado de departamento do Estado, em Botucatu. Depois de receber a tecnologia, o funcionamento da navegação por instrumentos passou a necessitar de instalações complementares e mão de obra especializada para operar os equipamentos.

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Ação conjunta


Revoltado com o cancelamento do voo e com a falta de informações por parte da Gol Linhas Aéreas em relação aos passageiros que esperavam seguir rumo à Capital, o deputado estadual Pedro Tobias forneceu seus dados para o registro de boletim de ocorrência, que segundo o comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, vai servir para que os passageiros lesados entrem na Justiça contra a companhia aérea.

Tobias disponibilizou seu escritório para que todos os clientes do voo 1061 de ontem da Gol o procurem. Tobias afirma que vai se responsabilizar pela contratação de um advogado para uma ação judicial coletiva, reivindicando o reembolso das passagens aéreas. O telefone de contato para os interessados é (14) 3223-2858.

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