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Dr. Automóvel: A nova Fórmula 1 para 2011

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Vimos na semana retrasada durante o Grande Prêmio da China, que este ano teremos muito mais ultrapassagens na corrida do que nos últimos anos. E isto por quê? Devido às mudanças de regras da F1 como novos pneus da Pirelli, uso de novas asas dianteiras e traseiras, readmissão do KERS, continuação da proibição de reabastecimento, enfim muitos fatores que favorecem a troca de posições entre os pilotos.

Os pneus da Pirelli seguem as novas normas quanto ao desgaste. São na verdade 4 modelos: 2 para chuva (fraca e forte, com ranhuras) e 2 para pista seca (mole e duro, tipo slick). Os pneus slick moles são identificados por uma faixa branca pintada na lateral do pneu, bem fina e próxima à banda de rodagem. Já o pneu duro não tem marcação. Continua a obrigatoriedade de uso de pelo menos um jogo de pneus de cada versão. De acordo com a FOM (Formula One Management), os pneus deverão ter um desgaste maior e durabilidade menor, para produzir mais idas aos boxes para troca, favorecendo mais mudanças de posição na pista.

O que vimos na corrida foi o desprendimento de pedaços de borracha dos pneus que voam para todos os lados e se acumulam na pista, o chamado lado sujo, fora do trilho convencional de passagem dos carros. O fato de desprenderem-se pedaços de borracha traz dois incômodos extras, além da sujeira na pista: o desbalanceamento das rodas e os pedaços voando, que atingem carros e pilotos, ambos com efeitos ampliados pela alta velocidade. Um teco de borracha a 300 km/h tem o impacto de uma pedrada e causa bastante estrago onde atingir, principalmente uma luva ou capacete. Vamos ter reclamações muito em breve...

Outro fator importante do desgaste severo dos pneus é seu limite de uso. O que se mostrou na corrida é que seu limite de durabilidade é muito sensível e, assim que atingido, a aderência cai verticalmente. Portanto, mais uma responsabilidade para a equipe de estrategistas e para o próprio piloto: saber a hora exata de entrar no box e trocar os pneus. Vimos que o Vettel estava com a corrida nas mãos quase até o final, mas os pneus é que o deixaram na mão...

Por falar nisso, time organizado, sério e competente como a McLaren é outra coisa. O carro do Hamilton estava no box antes da largada para consertar um sério vazamento de óleo no motor. A 30 segundos de estourar o tempo limite de fechamento dos boxes, a equipe libera o carro e o piloto entra na pista, a tempo de dar a volta e se alinhar para a largada. E ganha a corrida! Dava para ver a coreografia dos mecânicos durante o trabalho, todos fazendo alguma coisa útil e ninguém se trombando. Um show de eficiência mesmo, bonito de se ver.

O KERS (Kinetic Energy Recovery System) é um equipamento elétrico que acumula energia das freadas e a transforma em potência adicional, fornecendo cerca de 80 CV a mais quando acionados. Isto sem dúvida ajuda muito em ultrapassagens e largada, mas as regras impõem restrições de uso durante a cada corrida, como um limite de acionamentos por volta. O sistema já foi usado em 2009, banido em 2010 pelas próprias equipes e agora voltou para todos. Como cada equipe desenvolve o seu sistema, o desafio ficou para os engenheiros (sempre nós...), pois apesar das regras aumentarem o peso limite dos carros em 20 kg, chegando a 640 kg no total, lembre que não tem mais reabastecimento e os tanques ficaram enormes, para durar toda a corrida. Isto é desafio puro e alta tecnologia, o que todos querem.

Quanto às asas móveis, as dianteiras foram proibidas, assim como os ridículos dutos do ano passado acionados pelas costas das mãos do piloto, mas as traseiras podem ser abertas ou fechadas eletronicamente. Durante os testes e a qualificação, podem ser usadas conforme conveniência dos pilotos. Já durante a corrida existem regras claras, como estar atrás de outro carro a menos de 1 segundo e em trechos específicos e demarcados da pista (tem uma faixa extra delimitando o trecho). Ao acionar o DRS ( Drag Restrain System ou sistema de restrição de arrasto), a asa pode ficar fechada, fornecendo força para baixo (downforce) e aumentando a tração nas rodas e diminuindo a velocidade pelo aumento do arrasto, ou aberta, liberando a passagem do ar sem gerar arrasto e permitindo maior velocidade para ultrapassagem. O controle de prova fornece a liberação para uso com uma luz no painel. Ao pisar no freio, o sistema se desliga e a asa fecha, por segurança. Por tudo isto é que a Fórmula 1 voltou a ficar interessante.

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