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Idosos são o dobro de crianças até 4 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 8 min

Bauru caminha para o envelhecimento de sua população, com um expressivo aumento do número de idosos e queda na quantidade de crianças e jovens. Cada vez mais longevos, ativos e com poder de consumo, os moradores acima dos 60 anos já representam o dobro da quantidade de crianças com até 4 anos de idade.

Ao todo, eles somam 44.941 idosos, 13% do total de habitantes da cidade, segundo dados do Censo 2010, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há 10 anos, quando o último levantamento foi realizado, representavam 10,3% da população.

Enquanto o crescimento vegetativo da cidade foi de 8,8% no período, a da faixa acima dos 60 anos teve acréscimo de significativos 36,84%. Em movimento contrário, no entanto, o número de crianças entre 0 e 4 anos caiu 17%, de 25 mil para 20,7 mil.

"Esta realidade já era esperada pelo IBGE, já que trata-se de um processo que vem se desenrolando ao longo das últimas décadas num ritmo mais lento. Com o todo o suporte da medicina, houve um aumento considerável na expectativa de vida e os resultados não poderiam ser outros", analisa a coordenadora da subárea do Censo em Bauru, Matilde Tabanez dos Santos Pereira.

As estatísticas, entretanto, não representam meramente a inversão da pirâmide etária do IBGE. Ainda que a população da cidade esteja ficando mais velha, é um engano imaginar que o bauruense está mais recolhido, inativo e alheio à vivência social e ao consumo.

Conforme destaca o geriatra Lilson Long, nas últimas duas décadas, a ampliação do acesso aos equipamentos de saúde, o desenvolvimento da medicina e a maior preocupação em adotar tratamentos preventivos - ainda que esta conscientização esteja longe da ideal - fez com que a vida das pessoas fosse prolongada e melhorada. "Hoje, assistimos a um envelhecimento ativo da população. Os idosos continuam participando da vida em sociedade. Aquela imagem da avó sentada na cadeira de balanço fazendo crochê não existe mais", comenta o especialista.

Além de permanecer no mercado de trabalho por mais tempo, os moradores da terceira idade, quando de aposentam, passam a investir muito em lazer e entretenimento. Neste contexto, empreendimentos como clubes sociais, casas de dança e o ramo turístico de uma forma geral encontraram um poderoso nicho de mercado.

"As próprias associações da terceira idade ganharam uma dimensão muito importante nesta última década, porque os idosos aumentaram mas, mais do que isso, se mostraram entusiasmados com a possibilidade de aproveitar esta fase da vida", comenta Long.

Vida sexual


Da mesma maneira, à medida em que técnicas científicas se desenvolviam, propiciando diagnósticos cada vez mais precoces, políticas públicas nas diversas áreas e campanhas de vacinação específicas para esta faixa de idade começaram a ser desencadeadas. "Para se ter uma ideia, até mesmo uma campanha de prevenção e combate a aids chegou a ser lançada, porque o contágio estava aumentando muito nesta idade. Ou seja, até mesmo a atividade sexual ganhou uma outra perspectiva diante da nova realidade vivida por esta população", detalha o geriatra.

Ao mesmo tempo em que a cidade verifica o aumento da expectativa de vida, também assiste à redução drástica da taxa de natalidade, já que os bauruenses estão tendo menos filhos e cada vez mais tarde. Do ano de 2000 para cá, é menor o número de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos proporcionalmente ao total da população. Já a partir dos 20 anos em diante, o crescimento populacional é sempre positivo.

"O Brasil já faz parte dos países em que a taxa de reposição da população é negativa, ou seja, casais estão tendo menos do que dois filhos. E, com a melhora da expectativa de vida, que está próxima dos 74 anos, a tendência é de que a pirâmide etária brasileira se transforme ainda mais", sinaliza o médico. Segundo ele, até 2025, pessoas acima dos 60 anos irão representar 15% da população, quando o Brasil deverá se tornar a quinta nação mais populosa em idosos, acompanhando uma tendência já verificada nos países desenvolvidos.

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Relação homoafetiva


O objetivo do Censo é retratar como vivem os brasileiros e, dentro desta perspectiva, esta foi a primeira edição do levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a contabilizar a população residente com cônjuges do mesmo sexo. Ainda que barreiras de preconceito se imponham diante da espontaneidade em declarar, durante o recenseamento, a condição de viver uma relação homoafetiva, 145 moradores de Bauru informaram viver uma união homossexual.

A coordenadora da subárea do Censo em Bauru, Matilde Tabanez dos Santos Pereira, considera o número ainda tímido diante dos resultados proporcionais de outras cidades da região metropolitana do Estado. Mas acredita que, nas próximas edições do Censo, a tendência seja de crescimento das estatísticas.

"Acredito que, já no próximo Censo, à medida em que a sociedade for aceitando melhor esta realidade, tenhamos um aumento dos números", pondera. Em todo o Brasil, mais de 60 mil pessoas declararam viver com uma pessoa do mesmo sexo.

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Apartamentos dobram


Ainda que continuem sendo a minoria dos imóveis de Bauru, os apartamentos ganharam espaço na preferência dos moradores por dois motivos. Um deles refere-se à sensação de insegurança provocada pela escalada da violência, gerada em parte pelo crescimento da cidade.

"Morar sob a proteção de muros, portaria e câmeras de monitoramento oferecem uma sensação maior de tranquilidade", aponta o economista Reinaldo Cafeo.

Outro fator foi a própria popularização deste tipo de moradia por conta de linhas de crédito e subsídios governamentais, que veio ao encontro da necessidade do mercado imobiliário em franca expansão na cidade. Sem espaço para crescer horizontalmente, a solução estratégica imediata foi construir as habitações no sentido vertical. "O espaço é finito e, com a construção de apartamentos, o empreendimento é maximizado", comenta.

Para se ter uma ideia da dimensão deste fenômeno, o número de apartamentos dobrou em 10 anos, de 6,6 mil para 13,3 mil imóveis. O número de casas, entretanto, permanece em 94,6 mil unidades.

Do total de 109,8 mil domicílios em Bauru, um novo tipo de moradia também começa a despontar como uma alternativa que associa a segurança oferecida pelos apartamentos ao espaço garantido em casas térreas. Trata-se dos condomínios horizontais, que já totalizam 1.549 unidades em Bauru.

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Borá é a menor do País e
Campinas maior do Interior


Pelo segundo censo consecutivo, o município de Borá, no interior paulista ganhou o título de menor cidade do País em termos populacionais, com 805 habitantes, apenas dez a mais do que foi registrado no Censo 2000. O segundo lugar nesse quesito ficou com a cidade mineira de Serra da Saudade, cuja população caiu de 873 para 815 na última década. A terceira menor cidade do país é Anhanguera (GO), com 1.020 habitantes.

Das cinco cidades interioranas mais populosas do país, quatro estão no Estado de São Paulo. A maior delas, Campinas, tem 1.080.113 habitantes, segundo o Censo 2010. Em segundo lugar aparece São José dos Campos, com 629.921 habitantes, seguida de Ribeirão Preto (604.682), Uberlândia (604.013) e Sorocaba (586.625). A lista não considera como do interior as cidades que pertencem às regiões metropolitanas.

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?Arrimo? familiar


Um dado surpreendente nos resultados iniciais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o número de crianças responsáveis pela casa onde vivem. Ao todo, 295 pessoas entre 10 e 14 anos informaram ser o ?chefe? da família em Bauru. Há 10 anos, elas não eram mais do que 15.

Ainda que o Censo 2010 possa apresentar algumas distorções, coordenadora da subárea do recenseamento em Bauru, Matilde Tabanez dos Santos Pereira, avalia que muitas delas são consideradas "arrimo" porque recebem pensão alimentícia ou por morte de um dos pais. "Número maior de mulheres que se separam dos maridos e reivindicam o direito à pensão pode ser uma explicação. Não significa, necessariamente, que mais crianças estejam trabalhando para manter toda a família."

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Casa com até dois moradores é maioria na cidade


O crescimento da renda e a nova configuração dos núcleos familiares estão deixando as casas cada vez menos povoadas em Bauru. De acordo com dados do Censo 2010, as residências com até dois moradores estão aumentando e já representam a maioria dos domicílios da cidade. Atualmente, 42.584 imóveis são ocupados por não mais do que duas pessoas, média que representa 38,7% do montante total. Há 10 anos, quando o Censo foi realizado pela última vez, os bauruenses viviam sozinhos ou dividiam 26.800 domicílios com apenas mais uma pessoa, numa proporção de 29,5% do total de casas.

Na última década, o volume de residências com três moradores chegou a registrar pequeno aumento, mas as de quatro ou mais habitantes, sem exceção, apresentaram queda. Para se ter uma ideia, as famílias de quatro membros vivendo juntos - que antes eram maioria -, hoje são apenas a terceira configuração doméstica mais comum na cidade. Como reflexo deste ?enxugamento?, a quantidade de apartamentos ocupados dobrou no período, em Bauru.

Na avaliação da coordenadora da subárea do Censo em Bauru, Matilde Tabanez dos Santos Pereira, uma das explicações tanto para a redução do número de habitantes por domicílio quanto para a perda de espaço das residências para imóveis menores está atrelada ao aumento da renda da população e da estabilidade no emprego. Como consequência deste poder aquisitivo, os jovens se sentiram mais confiantes em deixar a casa dos pais para viver sozinhos ou para dar início à vida de casado.

Segundo economista Reinaldo Cafeo, se adicionam a este argumento a nova dinâmica dos núcleos familiares, já que os divórcios se tornaram mais comuns, porque são mais aceitos pela sociedade. Desta forma, já não é mais raro encontrar mães ou pais que vivam sozinhos com seus filhos únicos. "Nós não temos mais aqueles matrimônios para a vida toda. Antigamente, existia certa pressão social para que não houvessem separações e a quantidade de filhos era infinitamente maior."

Com poder de consumo e já acostumados a viver de maneira independente, estes casais geralmente não voltam para a casa dos pais quando se separam e preferem construir um novo lar, obviamente com menor número de moradores. Para Cafeo, entretanto, é possível que, nos próximos anos, o mesmo aumento da renda que reduziu a quantidade de moradores por domicílio poderá fazer com que as famílias voltem a crescer.

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