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Em 5 anos, coleta seletiva cresceu 200%

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Conscientização ou consequência do aumento natural de consumo na "era do descartável"? Qual desses dois fatores estaria motivando o aumento crescente da quantidade de lixo reciclável separado pelos bauruenses? O fato é que, em cinco anos, a coleta seletiva aumentou aproximadamente 200%. Os números se referem tanto à coleta seletiva oficial feita pela prefeitura quanto ao trabalho dos coletores informais que percorrem as ruas da cidade.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), no ano passado a coleta seletiva municipal reuniu mais de 1,5 mil toneladas. Cinco anos antes, esse número era apenas de 555 toneladas. Ou seja, o aumento da coleta seletiva entre 2005 e 2010 foi de aproximadamente 200%.

E, considerando os coletores informais que também percorrem as ruas da cidade em busca desse material, esse número dobra. A avaliação é do titular da Semma, Valcirlei Gonçalves da Silva. "A estimativa é de que os catadores informais coletem aproximadamente a mesma quantidade que nós. Assim, essas 1,5 mil toneladas da quantia oficial devem chegar a cerca de 3 mil toneladas", aponta.

Com esse montante estimado pela Semma, seria recolhido em Bauru uma média de 250 toneladas de materiais recicláveis por mês.

Para o secretário, o número crescente é devido ao aumento da quantidade de consumo e à conscientização, porém, ele acredita que a população ainda falha neste último fator. "Ainda falta um pouco de conscientização. Os números poderiam ser bem melhores se a população realmente tivesse a consciência de como isso é importante ao meio ambiente", alerta.

O procedimento ideal seria o de separar os resíduos passíveis de reciclagem e encaminhar à destinação adequada. Hoje em dia, a coleta seletiva em Bauru é feita por caminhões que passam semanalmente ? com data e hora marcada - nas residências recolhendo os recicláveis previamente separados pelos moradores. Em alguns casos, elas podem ser levadas a alguns pontos pelo munícipe.

A coleta de casa em casa da prefeitura atinge 85% da área territorial urbana de Bauru. "Nosso principal objetivo é chegar ao ano que vem cobrindo toda a cidade. Queremos ampliar nossa frota para atingir esse objetivo", espera o secretário, revelando que, atualmente, o serviço é feito por quatro caminhões.

Porém, esse número revela que 85% pode ser feito de forma territorial, mas não na proporção do que é produzido. Como a coleta é feita somente uma vez por semana e com muito menos veículos do que a frota da coleta domiciliar, ela está muito distante de atender toda a demanda do volume produzido.

Falta de lixeiras

Outro problema que contribui para que esse crescimento não seja ainda maior é falta de lixeiras nas ruas que visam à reciclagem.

No ano passado, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) instalou 273 unidades da ecolixeira ? feitas com latas de tinta reaproveitadas - na cidade. Nenhuma delas possibilita a separação do lixo da forma ideal ? lixeiras com cor azul para papel/papelão; amarelo para metal; verde para vidro; vermelho para plástico e marrom para orgânico.

Na ocasião, o JC questionou o diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma, Sidnei Rodrigues, sobre o fato. Ele alegou que o motivo era a própria falta de conscientização da população sobre o tema e disse que não havia sequer um prazo para a instalação desse tipo de lixeira. "Não adianta colocarmos as lixeiras de coleta e as pessoas não usarem", afirmou.

Com esses números divulgados agora, percebe-se que a conscientização realmente aumenta a cada dia, porém, ainda não há prazo para que as lixeiras de coleta apareçam nas praças e ruas de Bauru.

Segundo o secretário Valcirlei da Silva, "a dificuldade está em termos de equipamento e de equipes para isso. Para que o fato funcionasse, precisaríamos de mais gente para coletar esse material separado de forma correta. Não temos isso e não há prazo para que ocorra. Nossa meta mais próxima é realmente cobrir (de forma territorial) toda a cidade com a coleta seletiva feita de porta em porta. Podemos pensar em colocar essas lixeiras em eventos grandes, porém, é algo que temos que estudar".

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