Se a coleta seletiva tanto da prefeitura quanto dos catadores informais triplicou em Bauru nos últimos cinco anos, a evolução poderia ser muito maior. O fato é que, de acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), 40% do lixo que vai parar no aterro sanitário poderia ser reciclado caso fosse separado corretamente. Outros 30% poderiam ser utilizados como composto orgânico. Ou seja, 70% do que é levado ao aterro sanitário ? e sobrecarrega o local - poderia ter outro destino.
De acordo com a assessoria de imprensa da empresa municipal, em 2010, a coleta domiciliar recolheu mais de 78 mil toneladas de lixo. Segundo a estimativa do diretor de limpeza pública, Ewerton Mussi Hunzicker, desse total, aproximadamente 31 mil toneladas poderiam ser recicladas.
"Se a população separasse de forma correta, a coleta seletiva e os próprios informais pegariam um número muito maior de material reciclável. Entretanto, isso não ocorre ainda. Realmente, vemos que está melhorando, porém, nosso maior desafio é a falta de conscientização", explica.
Além dessa quantidade de material reciclável, Mussi explica que 30% também poderia ter outro destino que não fosse o aterro. "Poderiam ser feitos compostos, como adubos orgânicos, para serem utilizados na agricultura. Mas, como temos tudo misturado, não conseguimos fazer isso".
Assim, do total que é recolhido na coleta domiciliar hoje, se fossem seguidas as normas de separação pela população ou o poder público realizasse esse serviço, somente 30% teria como destino real o aterro sanitário da cidade.
Mas, como isso não é feito integralmente, o volume é preocupante. Nos três primeiros meses de 2011, a coleta domiciliar já recolheu mais de 20 mil toneladas de lixo. "Se continuar assim, a expectativa é de que sejam recolhidas 81 mil toneladas de lixo na coleta domiciliar este ano", aponta.
Aumento
Entre 2005 e 2010, o lixo bauruense que vai para o aterro aumentou 21%. Passou de 64,5 mil toneladas para 78 mil toneladas. Para coletar todo esse lixo, o serviço é feito atualmente por 17 veículos ? número de frota quatro vezes maior do que o da coleta seletiva.
"Na última segunda-feira, houve a licitação para a compra de mais três caminhões e ainda a ampliação da capacidade de mais dois. Minha expectativa é de que em, no máximo, dois meses eles já estejam na cidade", completa o diretor de limpeza pública, Ewerton Mussi Hunzicker.
Para ele, o aumento é grande, algo que atribui ao modo de vida atual. "Acredito que, além do crescimento da cidade, a falta de tempo, que leva muitos a consumirem produtos industrializados como as comidas, contribui para esse aumento do lixo. Vemos que essas embalagens são amplamente descartadas", informa.