Regional

Safra de cana-de-açúcar vai ser menor na região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A falta de chuvas de agosto a novembro do ano passado na região prejudicou o desenvolvimento da cana-de-açúcar. A quebra pode chegar a 15% e comprometer a produção de etanol (álcool). Essa é a previsão do engenheiro agrícola da Associcana de Jaú, Denis Helácio Vitte.

A primeira complicação da falta de matéria-prima foi o atraso na safra 2011/2012. Sem sobras da safra de 2009, as usinas começaram a moer somente nas últimas semanas. "No ano passado, a safra começou antes porque havia sobras da safra 2009. A cana visada foi moída em 2010. É aquela que não foi cortada no ano anterior."

Segundo o engenheiro, em 2009 choveu muito e as usinas não conseguiram cortar toda a cana. Entrou o ano seguinte e choveu pouco na época que precisava. Como não sobrou cana de um ano para outro, em novembro de 2010 praticamente terminou a safra de toda a região. "Toda a cana-de-açúcar foi cortada. Não sobrou cana para este ano. Por isso, o atraso. Geralmente, quando tem cana visada, o pessoal começa cedo a safra porque a cana já está no ponto, madura para cortar, com o teor de sacarose necessário. Como a cana não se desenvolveu de maneira adequada, tem baixa qualidade, sinônimo de produção menor."

Na opinião de Vitte, é difícil calcular a quebra com precisão. "Depende muito do que vai acontecer agora. No mês de abril, está chovendo bem. Se tiver uma chuva em maio e outra em junho, a cana vai se recuperando. Mesmo assim, vai ter uma quebra que pode atingir os 15%, na região."

Os canaviais da região, segundo o engenheiro, estão velhos. "Os produtores diminuíram a adubação em função do baixo preço da cana. Geralmente, os canaviais eram renovados a cada cinco anos, o que não está mais ocorrendo. Estão deixando cana de sete, oito, dez cortes. Isso diminui a produtividade."

O valor pago aos produtores está abaixo do custo de produção, informa o engenheiro agrícola. "Faz três anos consecutivos que eles estão recebendo um valor que não cobre os custos de produção. Por exemplo, por uma cana de 140 quilos, pagam R$ 56,00 bruto por tonelada. Descontando o corte, carregamento e transporte, o produtor pode receber algo em torno de R$ 35,00 livre, enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 55,00."

O presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Maurício Lima Verde, acredita que a produção de cana-de-açúcar vai ser de 4% a 6% menor este ano. "Essa é uma previsão da Conab e envolve a nossa região. A Única não concorda com a previsão e diz que tem um aumento de 2%."

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