Há 17 anos, a Fórmula 1 perdia o tricampeão Ayrton Senna, morto em um acidente no circuito italiano de Ímola. Desde o fatídico 1 de maio de 1994, a F-1 deixou de ter graça para os brasileiros com a ausência de um piloto para brigar por títulos. A admiração por Senna não arrefeceu desde sua morte.
O piloto fez seu último show no Grande Prêmio de San Marino e, atualmente, continua atraindo fãs. Pessoas que nunca viram Ayrton atuar em um cockpit são fascinadas pelo mito Ayrton Senna. Em Bauru, o comerciante Ocimar Barbosa teve um restaurante denominado Senninha. Atualmente, Senninha batiza a sua pastelaria.
Homenagear o estabelecimento comercial da família não bastou e uma decisão sua marcou para sempre a vida da família. Barbosa acertou com a esposa Leia que o filho do casal levaria o nome de Ayrton Senna Crepaldi Barbosa. Atualmente, o garoto de 12 anos joga no sub-13 do Noroeste. Barbosa conta que a esposa deu apoio imediato. "Meu filho estava para nascer e todo mundo conhece ele como Senna. Quando falei que nosso filho ia chamar Ayrton Senna, ela prontamente aceitou e ficou feliz", conta.
O comerciante comenta que, a cada corrida sempre emocionante, a admiração por Senna foi se intensificando. "Desde quando surgiu o Ayrton foi criando um carinho especial", define. O fã do tricampeão comenta que nunca perdeu uma corrida do brasileiro. Para ele, o 1 de maio de 1994 foi trágico. "Muitos sentiram, muitos choraram. Mas ninguém sentiu tanto quanto eu. Estou até emocionado aqui falando. Nem gosto de comentar muito a perda dele", descreve.
Suvenires
Barbosa mantém coleção de suvenires relacionados ao piloto. Ele conta que há uma montagem com fotos do filho e do personagem Senninha. A imagem de Ayrton em fotografias ou em audiovisual é cultuada por Barbosa em vários pôsteres, fotos, fitas de vídeo, tecnologia da época, e DVDs. Na coleção, ele faz questão de citar uma infinidade de cartões telefônicos do piloto.
O bauruense Sulaiman Aziz, 32 anos, é um aficionado por Fórmula 1 desde os 8 anos de idade. A paixão pelo automobilismo turbinou com a entrada em cena de Ayrton Senna da Silva. Aziz descreve que acompanhava a carreira de Nélson Piquet quando viu o outro brasileiro voando com uma Toleman. A primeira vez que assistiu Ayrton foi no charmoso GP de Mônaco de 1984, com o brasileiro indo ao pódio na segunda colocação. "Ele fez aquele estardalhaço. Em que ele passou o Prost e tiraram a vitória dele com uma roubalheira. Já começaram a meter a mão ali. Aí foi paixão", relembra.
A partir de então, Aziz passou a colecionar coisas sobre Ayrton. A morte do ídolo na pista em 1994 apenas aumentou o fanatismo. Aziz emposta a voz para falar das relíquias e lembranças que guarda da era Ayrton Senna, como cartas do brasileiro. Para ele, o período de 82 a 94 representa a época mais brilhante da F-1 com pilotos sensacionais. Aziz avalia que, atualmente, foi transferido a emoção das corridas para a tecnologia, porque o material humano ficou muito pobre.
Ele defende a tese de que para a FIA não é interessante propagar o mito Ayrton Senna ou mesmo um piloto sul-americano. Aziz argumenta que o argentino Juan Manuel Fangio, no século passado, era o mito da categoria sendo pentacampeão. "Veio o Ayrton Senna detonando e é difícil para a entidade européia admitir um brasileiro ser campeão, fazer o Brasil, um país latino-americano, pobre, subdesenvolvido, ter os melhores corredores do mundo, sendo que é uma entidade criada por europeus", frisa.
"A F-1 criou um meio para esquecer a era Senna. Para que as futuras gerações lembrassem que o melhor piloto é europeu, o Schumacher, e o melhor carro, uma Ferrari". Para Aziz, Schumacher é fabricado, apesar do piloto alemão colecionar sete títulos mundiais. "Ayrton é o melhor de todos", finaliza Aziz.