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Chuva não afeta ânimo e participação na 60ª Undokai

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Nem mesmo o tempo nublado do início da manhã, que anunciava a chegada da chuva logo em seguida, desanimou as centenas de pessoas que compareceram ontem ao Recanto Tenri para prestigiar a 60ª edição do tradicional Undokai, evento promovido pelo Clube Cultural Nipo Brasileiro com o objetivo de preservar as tradições da cultura oriental e integrar as colônias japonesa e brasileira por meio da realização de gincanas poliesportivas para todas as idades.

Na festa, não faltaram histórias sobre quem cresceu participando das edições e, agora, leva os filhos para que a tradição seja mantida. Fátima Mitiko, que foi ao Recanto acompanhada da mãe e dos dois filhos, conta que essa é a quinta edição à qual comparece. "É para manter a tradição. A gente cresceu assim, participando, levando as crianças, em família", afirma. Enquanto seu filho brincava, ela cuidava da pequena Lívia Ayumi dentro de uma barraca. "Hoje o tempo está de chuva. É para proteger as crianças", diz.

Alice Meire Tamamati, mãe de um menino e uma menina com a mesma idade, prestigiou a festa ao lado da tia, primas e sobrinhos. "Desde pequeno a gente vem, eu fiquei grávida e vim e, agora, eu trago meus filhos", conta. "A gente vem para manter a tradição. Estamos acostumados, meus pais ajudavam aqui". Ele revela sua preferência entre as 35 provas. "Agora, como já sou mãe, participo mais da feira (de artesanato), da centopéia. As crianças gostam da bola ao cesto", diz.

A festa também reuniu uma família que sempre compareceu ao Undokai, foi morar no Japão e retornou ao Brasil em 2009, trazendo um novo membro para participar do evento. De acordo com Mônica Ariji e a filha Thaynná Ariji, que estava com a cadela Raika nos braços, ela veio do outro lado do mundo e prestigia a festa pela primeira vez. "Veio a família toda. A gente não podia deixar ela em casa", argumenta.

No final da manhã, quando era realizada a prova onde os participantes têm que pegar grãos de soja com o Hashi (palitos de madeira utilizados pelos japoneses para levar a comida até a boca), a chuva que ameaçava cair finalmente desabou e todos tiveram que se abrigar no salão onde foi montada a praça de alimentação e em uma arquibancada coberta erguida no campo de futebol onde estavam sendo realizadas as atividades.

Um pouco antes, o presidente do Clube Nipo, Nelson Sonoda Jiniti, havia dado uma entrevista otimista. "Espero que não chova forte. Se continuar a chuvinha fraca assim, pelo menos dá para o pessoal continuar as atividades", declarou. Mas não deu e, durante mais de uma hora, famílias tiveram que aguardar até que a chuva parasse. Um grupo de amigos não se abateu e improvisou uma partida de truco para passar o tempo.

A parada "forçada" também agradou proprietários de barracas que comercializaram produtos de artesanato, CDs e DVDs de filmes, novelas e músicas japonesas e coreanas, sorvete, espetinhos doce e salgado, pastéis, sucos e tapioca, além de pratos tradicionais da cozinha oriental como yakissoba, sushi e doce de feijão azuki.

Quem teve de ter paciência para "segurar" as crianças, ansiosas para participar das gincanas, foram os pais. Cássio Aneda e Sandra Aneda, que levaram a filha Larissa Aneda e sua amiga Karen Yoshie, as duas com 10 anos, contaram que as meninas estavam inquietas por ter que ficar na mesa. "As crianças querem brincar na chuva, no gramado, mas está encharcado. Fica difícil", relata o pai. Mas a espera durou pouco. À tarde, o sol apareceu e as gincanas prosseguiram até às 17 horas.

Mistura

O presidente do Clube Cultural Nipo Brasileiro, Nelson Sonoda Jiniti, destacou o caráter de integração entre as culturas oriental e brasileira do Undokai e declarou que, apesar de manter as tradições japonesas, a cada ano, a festa ganha novos elementos. "A gente procura manter a cultura, mas vai adaptando de acordo com as necessidades. Têm influência de todos os lados. Mas a gente procura manter os princípios básicos da festa, da filosofia", explica.

De acordo com ele, o Undokai é uma festa tradicional da colônia japonesa que têm como objetivo relembrar o aniversário do antigo imperador Hirohito - que comandou o Japão entre os anos de 1926 e 1989 ? comemorado no dia 29 de abril. "É uma gincana, uma confraternização entre as famílias da colônia japonesa, já com integração bastante forte agora com outras raças por causa da miscigenação da própria raça também", pontua.

Ele revela que as atividades que mais despertam atenção são a centopeia (onde cinco pessoas ficam com os pés presos em um mesmo pedaço de tábua e têm de andar de forma sincronizada para não cair); bola ao cesto (onde os times vermelho e branco têm que acertar bolas na cesta e ganha quem acertar o maior número delas); cabo de guerra e operação aritmética (que exercita o raciocínio das crianças por meio de operações matemáticas onde ganha quem tiver mais acertos).

Ao "pé-da-letra", Undokai significa "reunião ou encontro de esportes" mas, por reunir pessoas comuns e atletas amadores, convencionou-se traduzir Undokai como "gincana poliesportiva". "O importante é que a gente faz atividades para todas as idades, desde criancinhas até terceira idade. E quase todos os participantes ganham prêmios", destacou o presidente. A festa contou ainda com apresentações de danças folclóricas japonesa e country e exibição de Taikô, feita pelo grupo Muguenkyo.

Em Bauru, a festividade começou em 1951, organizada pelo Clube Nipo Brasileiro, que até hoje divulga a cultura japonesa para todas as gerações. Segundo informações de Jiniti, estima-se que, na cidade, existam aproximadamente 1.200 japoneses, entre nascidos e descendentes orientais.

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