Rejeitado por 95% dos bauruenses, segundo pesquisa publicada ontem no Jornal da Cidade, o aumento de vereadores em Bauru não seria aprovado na Câmara caso a votação fosse hoje. PSDB, DEM e PDT já definiram posição contrária ao inchaço, que poderia ampliar para até 23 o número de parlamentares na cidade. Para o aumento ser aprovado, seriam necessários 11 votos favoráveis, mas a proposta teria o apoio de, no máximo, 10, após ser rechaçada pelas legendas que somam seis dos 16 vereadores.
Mas como o placar é apertado, isso pode facilitar acordos e pressões de bastidores. Mas os partidos contrários ao aumento de cadeiras consideram a possibilidade apenas de ampliar para 17 o número de membros. Isso para que o plenário tenha número ímpar de parlamentares, o que evita o voto duplo do presidente da Casa de Lei em casos de desempate.
É o que defende o vereador Marcelo Borges (PSDB). "É a primeira vez que temos um número par de vereadores e precisamos corrigir esse erro para combater o ?super voto? do presidente. No mais, a pesquisa deixa clara a vontade da população para que esse aumento não aconteça", destaca.
O também tucano Fernando Mantovani acredita que, quando o assunto for debatido no plenário, os vereadores vão chegar a uma decisão condizente com a opinião popular. "Essa legislatura está sensível ao sentimento dos bauruenses. Isso aconteceu, por exemplo, no aumento dos salários dos vereadores, corrigido apenas pela variação da inflação", pontua.
Manter como está ou aumentar uma cadeira também é a posição do DEM. José Roberto Segalla ressalta que não haverá negociações com o partido para nada além disso. Fabiano Mariano (PDT) garante que sua legenda segue essa mesma postura. "Vamos nos reunir na próxima segunda-feira para discutir o assunto, mas consideramos a possibilidade de aumentar apenas uma cadeira", promete.
Por outro lado, PV e PPS já declararam posicionamentos partidários favoráveis ao aumento do número de vereadores para 21. Segundo Moisés Rossi (PPS), a medida é importante para aumentar a representatividade. "Muitas cidades já estão fazendo isso. Em Bauru, temos na Câmara engenheiro, líder comunitário, e é importante que esse leque seja ampliado e contribua com o debate sobre as questões da nossa cidade", alega.
Quanto à rejeição da população em relação à proposta, o vereador afirma que já era esperada devido ao senso comum de que políticos recebem e não trabalham. "Infelizmente as pessoas elegem os vereadores e depois desconsideram sua própria representatividade", diz Rossi.
Na contramão da opinião popular, Natalino da Pousada (PV) defende mais cadeiras. "A população precisa entender que o aumento poderia ajudar muitas regiões da cidade que não são representadas atualmente na Câmara", afirma.
Essa ideia é contestada pelos contrários ao inchaço. José Segalla não acredita na tese, pois o voto no Brasil não é distrital. Para Marcelo Borges, além de aumentar os gastos, a ampliação de cadeiras diminuiria o nível de qualidade da Câmara. "Os vereadores precisam pensar na cidade como um todo e não em um bairro específico. Não é bom para Bauru ter representantes que pensam apenas em um local", questiona.
Do ponto de vista do vereador Carlão do Gás (PR), suplente de José Carlos Pereira Batata (PT), o aumento do número de vereadores democratizaria a representatividade na Casa. "A população terá mais voz e vez com mais parlamentares. A associação de político com coisas errada cria a rejeição da população ao parlamento. Se perguntasse, a maioria diria que teríamos que fechar, mas eu defendo o parlamento", pondera. Carlão. Porém, ele alega que vai discutir com seu partido o número ideal de vereadores para a cidade.
Já o vereador Luiz Carlos Barbosa (PTB) vai além na defesa do inchaço. Ele quer 23 cadeiras. "Seria melhor para a cidade. O coeficiente eleitoral diminuiria e facilitaria a ampliação da representatividade. Com 17 ou com 23, o pessoal falaria, então sou a favor de que aumente tudo mesmo, como o Congresso Nacional autorizou", lança.
No site do JC, 29 pessoas acessaram no domingo à tarde a enquete, sendo 28 contrárias ao aumento de cadeiras e uma a favor.
Em cima do muro?
O vereador Roque Ferreira (PT) não se posicionou sobre o aumento ou não de cadeiras na Câmara Municipal. "Essa não é uma questão de princípios. Prefiro discutir nesse momento qual o papel do parlamento e o que o vereador deve cumprir. Sobre o aumento e o número de vereadores, eu vou falar no momento certo, quando a proposta for votada", tergiversa.
Segundo o petista, existe uma tendência estruturada pelas elites com o objetivo de desmoralizar o parlamento. "Ele é tratado como uma empresa, como se a democracia gerasse custos. O número de vereadores já foi reduzido e o repasse à Câmara continuou o mesmo", aponta. Roque acredita que o resultado mostrado pela pesquisa encomendada pelo Jornal da Cidade é esperado porque o Legislativo não expressa os anseios coletivos.
Os vereadores Paulo Eduardo de Souza (PSB) e Roberval Sakai (PP) também não declararam posição a respeito do aumento de cadeiras, alegando que o assunto será discutido dentro de seus partidos. "Não tenho uma posição formada, mas é claro que a atuação do Legislativo hoje é distanciada da vontade da população", diz Paulo.
Já o presidente Roberval Sakai (PP) afirma que está tratando do assunto com cautela. "No intervalo regimental da sessão de amanhã [hoje], vamos discutir o tema com todos os vereadores. No entanto, acredito que a população deva participar desse processo e ter sua opinião respeitada", pontua.
Renato Purini (PMDB), Carlinhos do PS (PP) e Amarildo de Oliveira (PPS) não foram encontrados pela reportagem.