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Vereadores querem, o povo não!

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Em Bauru, uma cidade cuja população de 350 mil habitantes sofre com a falta de saúde pública, reclama da ausência do poder público na resolução dos problemas em seus bairros, da dengue que castiga e mata, parte dos vereadores quer de uma vez só propor duas medidas no mínimo controversas para a sociedade. A primeira seria a proposta obscena do aumento de 16 para 21 ou 23 vereadores na cidade a partir de 2012.

Os números desejados pouco importam, vale para a maioria dos cidadãos honestos da cidade que este suposto aumento não combina com a produtividade atual. Demanda existiria se houvesse contrapartida dos edis atuais, porém, no nosso cotidiano vemos que um ou dois, no máximo três vereadores fazem jus ao seu mandato, os demais apenas aparecem nas sessões às segundas-feiras e depois vão cuidar de seus afazeres pessoais.

O que o Brasil inteiro menos precisa e Bauru está contida nesta situação é de novos políticos, precisamos de muitas coisas, como obras, honestidade, ética e o arregaçar das mangas em prol de uma cidade que está parada no tempo por mais de vinte anos, o resto é balela.

A segunda surpresa que os vereadores nos preparam é ainda mais difícil de entender, estão sondando a opinião pública para tentar nos convencer da necessidade da construção de uma nova Câmara. Ou seja, querem substituir a atual por uma maior e melhor para então, não fazerem nada num lugar melhor e mais suntuoso as nossas custas. Como isso sairá do bolso dos contribuintes, pouco importa para eles priorizar o pagamento das dívidas e os muitos compromissos que esses políticos têm de resolver para o cidadão bauruense.

A cidade continua esburacada, dois viadutos inacabados sem solução, dívidas com o DAE, Funprev, sem contar que a cidade precisa resolver a questão da construção da Estação de Tratamento de Esgotos, viabilização do novo aterro sanitário, equacionamento do atendimento médico que é precário, além de fiscalizar e coibir o absurdo loteamento das secretarias para uso partidário.

Eles aprovaram a compra da  Estação Ferroviária com a intenção de lá se instalarem, mas isso já não serve mais, como quem vai pagar não são eles, nada como uma nova despesa, pois certamente isso poderia possibilitar um ganho indireto de algum empreiteiro "cumpadre".

Igualmente à questão anterior o que a so-ciedade bauruense menos precisa no momento é da construção de uma nova Câmara, quando na verdade clamamos pela construção de ao menos cinco novos postos de saúde, incluindo os três desativados de forma inconseqüente pelo município.

Existe prioridades que devem ser seguidas, basta consultarem a sociedade, seus eleitores e até seus familiares, que com certeza eles irão dizer que a cidade precisa de:

Estação de Tratamento de Esgoto;

Novos postos de saúde;

Um novo Pronto-Socorro;

Obras viárias (incluindo término dos dois viadutos);

Reformas (das escolas e creches com a ampliação da oferta de vagas);

Instalação de câmeras de vídeo ao menos no centro da cidade para coibir a violência;

Luta junto ao governo estadual para duplicação da Rodovia Bauru-Arealva; ampliação da força policial; investimento maciço na saúde e educação;

Cobrar do prefeito e sua vice que de uma vez por todas viajem a Brasília para cumprir a promessa de campanha eleitoral da busca de recursos para a nossa cidade. Chega de enrolação com os Edis fingindo não ver o que está acontecendo;

Portanto, jogue no lixo a idéia de aumento de coleguinhas e da construção de nova Câmara, vamos fazer o simples - Trabalhar em dobro! Honrar seus mandatos e lutar por uma Bauru melhor.


O autor, Rafael Moia Filho, é dirigente da Batra e colaborador de Opinião

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