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Mulher morre e família critica Saúde

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Uma mulher de 42 anos morreu em sua casa, em Bauru, após ser acometida por uma parada cardiorrespiratória por volta das 15h de ontem. A família de Rosângela Maria Trindade reclama da demora no atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegou ao bairro Pousada da Esperança 2 meia hora depois de ser acionado por uma médica do Programa Saúde da Família (PSF), que atendia a vítima periodicamente.

Consternada, Cassiotéia de Fátima Trindade, 19 anos, filha de Rosângela, relatou à equipe de reportagem do Jornal da Cidade que desde a última sexta-feira aguardava a visita de uma médica que se desloca de uma equipe do Posto de Saúde da Vila São Paulo, bairro próximo, para que a mãe pudesse ser medicada. A casa da família fica na chamada ?área verde? do Pousada da Esperança 2, na rua Max da Fonseca Prado.

"Ela não estava bem desde a última sexta-feira e a médica deveria ter vindo vê-la naquele dia. Só que não veio. Apareceu só hoje (ontem) porque eu liguei lá e reclamei que ela não estava boa. A hora que ela chegou minha mãe já estava com o começo de parada cardiorrespiratória, então ela acionou o Samu", disse a jovem.

A vizinha Cristiane Aparecida de Carvalho, 36 anos, contou, com lágrimas nos olhos, como foi o momento do atendimento.

"Eu estava junto quando o Samu chegou. Uma médica ou enfermeira, não sei, entrou primeiro, olhou e já gritou para o outro funcionário que vinha com desfibrilador do lado de fora: ?Ela já está em óbito, não vai precisar?. Eles demoraram mais ou menos meia hora para chegar. É um descaso."


Tristeza


Cassiotéia disse que não tem condições financeiras e que não tinha como levar sua mãe para receber um atendimento mais adequado sem precisar acionar o Samu.

"Nós não temos condições e nem ninguém que faça isso para nós. Uma vez que eu liguei e ela estava mal, queriam que eu a levasse três quadras acima da minha casa para encontrar a viatura".

A PM foi acionada, e os policiais militares que estiveram na casa da paciente também constataram o óbito e o documento emitido por um médico do Samu, segundo a família. A filha de Rosângela afirmou que irá registrar boletim de ocorrência sobre a demora no atendimento.


O Samu

A equipe de reportagem do JC esteve no Posto de Saúde da Vila São Paulo e tentou conversar com a médica que atendeu Rosângela antes da chegada do Samu, mas foi informada de que ninguém tinha autorização para conceder entrevista.

Posteriormente, a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru informou em nota que a visita domiciliar realizada pelo Programa Saúde da Família é um trabalho de rotina que é feito segundo a demanda do programa e a disponibilidade dos profissionais.

Acrescentou ainda que o atendimento de casos na própria unidade inviabilizou a saída da médica para visita domiciliar na sexta-feira.

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Viaturas


Segundo o médico coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, atualmente a cidade conta com seis viaturas trabalhando normalmente, sendo que uma delas é a Unidade de Saúde Avançada (USA), utilizada para casos clínicos mais graves.

Além desses seis veículos, o serviço conta com mais duas viaturas paradas, na retaguarda. "Essas viaturas são utilizadas caso uma dessas que estão atuando normalmente venha a apresentar algum tipo de problema", disse Sacomandi.

Com relação aos médicos, o coordenador do Samu afirma que ainda não está com seu quadro completo, mas que grande parte dos plantões conta com três desses profissionais. "Já melhorou bastante a agilidade das solicitações", destacou.

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?Medidas cabíveis'


Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, no momento em que a médica do Programa Saúde da Família chegou à casa de Rosângela Maria Trindade, todas as "medidas cabíveis para evitar o óbito" foram prestadas.

A nota explica que, ao constatar situação de parada cardiorrespiratória na paciente durante a visita domiciliar, a médica realizou todas as manobras ressuscitatórias recomendadas e acionou o Samu para que fosse possível a utilização de equipamentos mais completos e o eventual transporte da paciente para atendimento específico de urgência e emergência.

Com relação à demora no atendimento, a assessoria confirma que o tempo de chegada na casa foi mesmo de 30 minutos desde a ligação feita pela família. No entanto, esclarece que esse tipo de caso clínico deve ser atendido com uma Unidade de Saúde Avançada (USA). Bauru só possui uma viatura como essa, que estava atendendo outro paciente no momento da solicitação, por isso a demora.

A nota é finalizada frisando que essa questão em nada contribuiu para o óbito de Rosângela, já que todas as medidas pertinentes à manutenção da vida foram adotadas com o início das manobras ressuscitatórias realizadas anteriormente à chegada da USA.

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