Brasília - O governo decidiu afrontar o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) para colocar em votação, direto no plenário do Senado, o projeto de lei que trata do sigilo eterno de documentos oficiais.
Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, onde tramita o projeto, Collor havia empacado a tramitação do texto - o que motivou o líder governista Romero Jucá (PMDB-RR) a pedir urgência para a sua votação.
Jucá vai apresentaria o requerimento de urgência ainda ontem, por determinação da presidente Dilma Rousseff. Como previsto pelo regimento do Senado, o líder do governo conseguiu o apoio de outros líderes partidários para tirar o texto da comissão.
A decisão de afrontar Collor ocorreu depois que o senador conversou, anteontem à noite, com o ministro Antônio Palocci (Casa Civil). Collor não cedeu aos apelos do ministro para votar a matéria ao argumentar que não concorda com as modificações no texto aprovadas ao longo de sua tramitação na Câmara e no Senado.
O senador defende a redação original do texto, de 2009, para permitir que alguns documentos oficiais fiquem com a rubrica de sigilo eterno.
Diante da postura de Collor, o Palácio do Planalto acionou os líderes governistas para levar o projeto diretamente para votação no plenário - passando por cima do presidente da Comissão de Relações Exteriores.
Dilma havia determinado que a sua base de apoio no Senado trabalhasse pela aprovação do projeto a tempo de ela poder sancioná-lo ainda ontem, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A sanção não ocorreu depois que Collor paralisou a tramitação do texto - que chegou à comissão no dia 25 de abril.