Internacional

Casa Branca muda versão de ataque


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Nova York - O governo norte-americano recuou ontem da versão oficial inicial sobre a morte do terrorista Osama Bin Laden, líder e fundador da Al-Qaeda, afirmando que ele estava desarmado no momento da ação ocorrida na noite de domingo, em Abbottabad, no Paquistão.

Os primeiros relatos diziam que o ex-terrorista número 1 do mundo havia sido alvejado na cabeça depois de atirar contra os agentes especiais americanos que invadiram o complexo onde morava havia anos. Surgiram novos detalhes sobre a ação, mas a Casa Branca reiterou que Bin Laden "ofereceu resistência".

A confusão sobre a ação levou a ONU a cobrar explicações aos EUA, destacando que as operações de antiterrorismo devem respeitar o direito internacional.

A morte do terrorista acirrou tensões com o Paquistão, suspeito de ter sido cúmplice do esconderijo de Bin Laden. A popularidade do presidente Obama disparou nove pontos após o anúncio do fim da caçada.


Resistência


Depois de terem indicado que o terrorista Osama Bin Laden estava armado quando foi morto pelas forças americanas, os EUA mudaram a versão. Afirmam agora que o líder da Al-Qaeda reagiu, mas sem armamento.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que o saudita resistiu à prisão, sem dar mais detalhes de como ele teria tentado impedir sua captura a ponto de ameaçar os soldados americanos. "A resistência não exige uma arma de fogo", disse. O líder terrorista foi morto com tiros no rosto e no peito. Anteontem, John Brennan, conselheiro do presidente Barack Obama para assuntos de segurança, disse que os militares estavam preparados para capturar Bin Laden vivo "se ele não apresentasse nenhuma ameaça".

Ele disse ainda que o terrorista foi morto durante troca de tiros. Os EUA recuaram ainda das observações de que o saudita e outros homens que estavam na casa em Abbotabad (Paquistão) usaram mulheres como escudo humano.

Uma das mulheres de Bin Laden - que os EUA tinha dito que havia morrido na operação - levou um tiro na perna após atacar um dos militares, disse Carney.

Segundo uma autoridade de inteligência do Paquistão, cerca de dez parentes do líder da Al-Qaeda foram capturados na operação (entre eles, a mulher e uma filha que teria entre 12 e 13 anos) e devem ser interrogadas antes de serem devolvidas a seus países de origem.

A comissária da ONU para Direitos Humanos, a sul-africana Navi Pillay, pediu que os EUA entreguem ao organismo detalhes sobre a operação que matou o terrorista. Segundo ela, sempre ficou claro que seria difícil capturar Bin Laden vivo, mas que todas as operações de contraterrorismo precisam respeitar as leis internacionais. "Essa era uma operação complexa e seria útil se soubéssemos todos os fatos precisos envolvendo a sua morte", disse.

Para a ONG Human Rights Watch, uma das mais importantes na área de direitos humanos, ainda é muito cedo para dizer se os EUA agiram dentro das normas internacionais já que poucos detalhes são conhecidos até o momento. Já o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, afirmou que a ação foi legal.

A Casa Branca estaria estudando se divulga ou não as fotos tiradas corpo de Osama Bin Laden. Uma das questões é que as fotos são bastante violentas e poderiam gerar uma revolta popular, em vez de diminuir as dúvidas sobre se o terrorista foi realmente morto.

Outro problema é que o rosto ficou desfigurado com o tiro, o que pode tornar mais contraprodutiva a sua divulgação. A possibilidade de divulgar as fotos não está descartada, no entanto.

Ao menos 26 combatentes estrangeiros, incluindo árabes, chechenos e paquistaneses foram mortos ou feridos pelas forças de segurança afegãs ao tentar entrar clandestinamente anteontem no Afeganistão, onde pretendiam lançar ataques para vingar Osama Bin Laden. A notícia foi dada por autoridades afegãs. No Paquistão, seguidores de Bin Laden saíram às ruas ontem e fizeram um enterro simbólico do líder da Al-Qaeda. Eles choraram e reclamaram que o corpo de Osama teria de ter sido entregue à família.

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