Garça - A Promotoria de Justiça de Garça (70 quilômetros de Bauru) ofereceu denúncia (acusação formal à Justiça) contra José Odali Barros e Kathy Lorene Barros, casal que dirigia a entidade assistencial "Alpha e Ômega", que abrigava crianças e adolescentes em situação de risco. O local foi fechado por ordem judicial em 2008, a pedido do Ministério Público (MP)
Segundo o promotor de Justiça Rogério Rocco Magalhães, o casal abusava de meios de correção e disciplina dos menores, como o uso corriqueiro de palmatórias e a aplicação de castigos prolongados, com confinamentos que podiam durar uma semana ou mais, além de ofensas morais.
Além disso, eles submetiam os internos a trabalhos forçados, como desempenhar serviços gerais (limpeza, manutenção, alimentação) na entidade, e a trabalhar em um ferro-velho e em uma oficina mecânica mantidos nas dependências da entidade.
Há relatos de que José Odali tenha utilizado algumas meninas como "escravas de quarto". Em troca de cuidarem de sua higiene pessoal, as meninas recebiam de Odali algumas regalias em relação aos demais internos, como acesso a xampu, cremes e roupas de grife.
Odali foi denunciado pelos crimes de maus-tratos, cárcere privado e redução a condição análoga à de escravo. Kathy, por sua vez, foi denunciada apenas por maus-tratos. Até o fechamento desta edição, o casal não havia sido localizado para comentar o assunto. A informação obtida pela reportagem é de que eles estariam fora da cidade.