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Evita e Bin Laden

Orson Peter Carrara
| Tempo de leitura: 3 min

A história humana é repleta de ocorrências, aprendizados, decepções, fracassos muitas vezes e situações outras de intensas conquistas. Breve consulta às conquistas tecnológicas já alcançadas dizem bem do quanto progredimos, enquanto coletividade humana, em todas as áreas e, curiosamente, do quanto ainda nos falta fazer e igualmente aprender. As realidades nacionais, localizadas, com suas características próprias envolvendo cultura, hábitos e costumes, crenças e valores, chocam-se muitas vezes nos intercâmbios internacionais e colocam à mostra nossas diferenças no entendimento e interpretação de fatos e circunstâncias. Nada mais natural, afinal as experiências são diferentes.

Tive a felicidade de assistir ao musical Evita. Com direção de Jorge Takla e grande elenco, o espetáculo levou-me a reflexões abrangentes sobre as realidades nacionais, já que o tumultuado período da história argentina, da era Perón, apresentado no musical, retrata faces impressionantes das lutas políticas do vizinho país, que nem sempre nos damos conta de pesquisar e conhecer. Um dia depois, o mundo é acordado com a notícia da morte de Bin Laden, outro vulto que marcou a história da Humanidade. Não é preciso repetir nada dos lances ligados à citada personalidade, notícia sempre presente na última década, agora acentuada com sua localização e morte.

Mas os fatos de cada realidade dos dois personagens citados oferecem amplo material de pesquisa. São épocas diferentes, em países e culturas totalmente desiguais, mas ambos alteraram a história. Com sua bagagem cultural própria, origem e experiências diversas na família, influência política em seu país e no planeta, estágios e crenças específicas, cada um deles deixa uma lição própria e notável perspectiva de verificarmos o quanto, em essência, como seres racionais, ainda precisamos aprender e o quanto nossa formação e bagagens influem em nossas decisões.

Sugiro ao leitor pesquisar síntese biográfica de ambos os personagens citados, pois com as facilidades atuais da Internet não será difícil encontrar dados nessa direção.

De origem humilde, Eva tornou-se a Primeira Dama da Argentina aos 27 anos, após uma curta carreira de atriz. Uma das mulheres mais poderosas do mundo e morreu aos 33 anos, tornando-se um dos mitos mais populares e polêmicos da História. Osama, por sua vez, era o filho único da décima esposa de Muhammed bin Laden, Hamida al-Attas; seus pais se divorciaram logo depois que ele nasceu. Tornou-se o homem mais procurado do planeta, depois de ser considerado o mentor do atentado terrorista de 2001. Foi morto no domingo 1 de maio, em buscas militares.

O mais interessante em tudo isso, porém, são as diferenças nacionais, de cultura especialmente. Apesar de todos humanos, iguais na origem e na destinação, guardamos ainda as diferenças próprias da cultura que nos posiciona desde o nascimento.

Ao assistir o espetáculo EVITA fiquei a pensar nas realidades próprias dos argentinos, como também temos as nossas no Brasil. Apesar das notícias correrem o mundo com muita rapidez, cada cidade, cada região, cada país, tem sua própria realidade, que sofre influência direta de seus protagonistas contemporâneos. E isso faz o progresso humano, em suas lutas e desafios, muito necessários à nossa condição de contínuos aprendizes.

Quanto às lutas próprias de Evita e Bin Laden, seus percalços e conquistas, ainda que condenados ou aplaudidos em suas condutas e opções, pelos partidários ou opositores de suas ideias e ocorrências, o fato final que fica mesmo é que o que nos caracteriza a condição humana e nos eleva ou rebaixa moralmente são as virtudes ou imperfeições morais que carregamos conosco. O que nos provoca quedas é a vaidade, o orgulho, o egoísmo. O que nos eleva e promove harmonia na consciência e na convivência é a generosidade, o desprendimento, a dedicação às boas causas. Afinal, a destruição em seu sentido de renovação é uma necessidade, a crueldade jamais o é, porque resulta sempre de uma natureza má, que deverá ser corrigida no tempo.


O autor, Orson Peter Carrara, é colaborador de Opinião

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