A mais recente e inédita crise em nossa cidade envolvendo a Câmara Municipal me faz lembrar um personagem histórico: Pirro, rei do Épiro e da Macedônia, que viveu no século III a.C. e ficou famoso por ter sido um dos principais opositores a Roma e pela expressão "Vitória de Pirro" ou "Vitória Pírrica", utilizada para denominar uma vitória obtida a alto preço, po-tencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis.
Ainda que dentro de um contexto militar, essa expressão, por analogia, pode ser ligada à atividade política, para descrever uma luta semelhante, prejudicial para o vencedor. Foi o que acorreu na eleição de 15 de dezembro do ano passado que elegeu o presidente e a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Bauru. Numa sessão tumultuada, de mais de 12 horas de negociações, ficou escancarado o fisiologismo em demasia que culminou com a derrota do governo Rodrigo Agostinho (PMDB).
A bancada do prefeito, que tinha como candidato à presidência o vereador Renato Purini (PMDB), perdeu as eleições para o vereador Roberval Sakai (PP), até então situacionista, em uma composição de última hora feita com os partidos de oposição PSDB, DEM e PPS. Como comprovadamente foi uma composição nada programática e sim uma prática política voltada para o interesse e proveito personalizados do presidente eleito em conluio com partidos que legitimamente almejam o 3º andar do Palácio das Cerejeiras, portanto sem pilar que a sustentasse, tornou-se evidente que tais relações políticas indigestas lançariam seus vômitos pelos corredores do Poder Legislativo.
Só não sabíamos que seria com este grau de potência e de forma tão prematura. Diz a história, quando lhe deram os parabéns pela vitória contra os romanos, conseguida a alto custo, Pirro teria respondido com estas palavras: "Mais uma vitória como esta e estou perdido..."
Fabrício Genaro - Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores