Polícia

Traficante sérvio não levantava suspeita

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A casa onde o traficante sérvio radicado no Brasil foi preso no último domingo, em Bauru, é quase uma fortaleza. Portões de ferro, cerca elétrica por todos lados e inúmeras câmeras de segurança. Segundo um vizinho, que teve a identidade preservada por questões de segurança, Goran Nesic nunca foi visto na vizinhança, apenas uma mulher e pedreiros que reformavam o imóvel, na zona sul da cidade.

Nesic foi preso pela Polícia Federal durante a operação Niva, que resultou na prisão de outros 17 membros da quadrilha procurado pela Interpol por tráfico internacional de drogas, conforme o JC adiantou ontem, com exclusividade.

Segundo esse vizinho, a casa localizada na rua Doutor Fuas de Mattos Sabino, 14-70, Jardim América, era uma residência grande, confortável, mas de médio padrão. Antes da chegada do morador sérvio - que ninguém da rua conheceu - tudo foi reformado, desde acabamentos até a troca dos portões. A obra levou cerca de dois anos para ser concluída.

"O pessoal que trabalhava lá era muito simpático. Todos eles muito prestativos. Tinha um homem que estava o tempo todo supervisionando a obra. Ele vinha com uma caminhonete simples. Muitos caminhões entravam e saíam da casa o tempo todo, mas nunca vi caminhão de mudança", relatou.

Goran Nesic não levantava nenhuma suspeita, inclusive, nunca foi visto pelos vizinhos, que se conhecem há anos. "Aqui todos se conhecem e quando alguém se muda a gente acaba sabendo todo o histórico dos novos moradores, até por questões de segurança. Já no caso dele nós achamos estranho porque não sabíamos nada, não víamos ninguém morando na casa", disse o vizinho.

Luxo


Carros luxuosos eram vistos em frente à casa, mas nunca ninguém descia deles ou os estacionava dentro do imóvel. Poderia ser Goran Nesic fiscalizando a obra e quem trabalhava para ele. Os vidros desses carros eram escuros e impediam a visão pelo lado de fora.

"Os pedreiros, sempre muito simpáticos, chamavam o pessoal da vizinhança para ver como estava ficando a obra. Tudo foi trocado, o piso era de porcelanato e o segundo andar tinha até paredes de vidro. Cheguei a ver uma mobília que estava na sala também, mas não havia moradores", destacou o vizinho.

Uma mulher jovem era vista com mais frequência na casa. Ela chegava de van ou junto ao homem que conduzia a caminhonete, supostamente um supervisor da obra. Mas nada levantava suspeita alguma.


Venda de terrenos


A casa ao lado do imóvel que foi reformado por Goran Nesic, no Jardim América, foi vendida. A família que de lá se mudou, segundo relatos, construiu a mansão no terreno ainda vazio.

Já se ouve falar na vizinhança que uma construtora iria erguer um edifício no local, mas também há rumores de que as residências localizadas no entorno do imóvel usado pelo sérvio já estariam em negociação de venda.

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Prisão


No último domingo, nem mesmo a prisão do traficante sérvio Goran Nesic foi vista pelos vizinhos da casa que ele tinha em Bauru, na rua Doutor Fuas de Mattos Sabino, 14-70. Eles só notaram a presença da Polícia Federal na segunda-feira, às 6h.

Na frente da casa havia seis policiais federais e, em seguida, um veículo teria saído da residência com quatro pessoas e um quadro grande, segundo relatos de um morador da vizinhança. Depois disso, o local não ficou lacrado com fitas ou adesivos da polícia.

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Acusado de ser líder de quadrilha internacional era alvo da Interpol


O sérvio Goran Nesic era procurado pela Interpol acusado de chefiar uma quadrilha de tráfico internacional de drogas, além de ser considerado de alta periculosidade. Segundo a Polícia Federal, ele era um dos cinco homens mais procurados pela polícia sérvia e tinha o nome incluído na "lista vermelha" da Interpol.

De acordo com o coordenador da Operação Niva em Bauru, delegado Antônio Vaz de Oliveira, o homem estava acompanhado de sua mulher, uma brasileira, e não teria oferecido resistência à prisão efetuada no último domingo.

Na casa da zona sul de Bauru foram apreendidos seis televisores de plasma, documentos e 18 obras de arte ainda não avaliadas, que suspeita-se terem sido adquiridas com dinheiro do tráfico. No local não foram encontradas armas ou entorpecentes.

Ao longo de dois anos de investigações, a Polícia Federal prendeu 48 integrantes da quadrilha, sendo 17 somente anteontem. Durante este período, também foram apreendidos 620 kg de cocaína, além de cerca de R$ 2 milhões.

Além disso, a 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo determinou o sequestro de bens de integrantes do bando, sendo 31 imóveis, 15 veículos de luxo e três embarcações, patrimônio avaliado em cerca de R$ 16 milhões.

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